Escreva para pesquisar

BOLA DA VEZ

Bruno Dreux – sócio da Amo

Compartilhar

bruno_dreux

Você pode não estar ligando o nome à agência, mas a Amo está no mercado há 12 anos. Ex-Publicidade Interativa, a agência se reposiciona no mercado com novo nome e branding assinado por Oskar Metsavah, da Osklen. Ao Voxnews, Bruno detalhou a agência vinda de um histórico digital e agora oferecendo aos clientes uma comunicação certeira.

E, em época de crise, um alento para o mercado. É possível ganhar espaço no mercado e superar expectativas com uma ressalva: “Tudo será questionado, inclusive (e principalmente) a eficiência da mídia.”, disse.

VoxNews – Nos conte sobre a história da Amo.

Bruno Dreux – Sério? Achei que só nossos pais curtiam ouvir isso. 🙂
Brincadeiras à parte, a história da Amo é muito simples. Há 12 anos que estou tentando criar uma agência capaz de entregar uma nova publicidade. E, depois de tantos anos, ainda não sei precisamente o que é esta nova publicidade e fico extremamente feliz com isto.

Para mim, o importante é a busca. Tentar ser um futurólogo só nos gera estagnação. E o nosso mercado está cheio disso. Ouvimos sempre umas coisas absurdas como “O rádio vai morrer. A TV vai morrer. O email marketing vai morrer.”. Parece que para se promoverem, precisam matar alguém. Absurdo.

E nestes últimos 12 anos tivemos muita sorte. Algumas das marcas mais importantes do mercado apostaram na nossa visão. Marcas grandes e conceituadas como TIM, Grupo Soma (Farm, Animale, Off-Premium, Fábula e FYI), Banco Bonsucesso, Movia, Trevo e Salve!, que atualmente fazem parte da nossa carteira, mas outras também que nos moldaram, como os 10 anos com o grupo L’Oréal (L’Oréal Paris, Garnier, Vichy, Maybelline etc.), SC Johnson, Unigranrio e a Laureate Hospitality, que nos possibilitou nosso primeiro projeto global com mídia em 35 países.

VoxNews – Por que Amo? Qual a participação do Oskar Metsavaht, da Osklen, no nome e na marca?

Bruno Dreux – Certa vez, estava conversando com o Ludovic (Dapoigny) no Unique em São Paulo, que à época era General Manager na CBA – uma grande empresa de branding com mais 11 escritórios no mundo – e ele me disse: “Este nome Publicidade Interativa parece uma disciplina de faculdade. Passa uma noção de tédio.”. E olha que ele não fala português, mas, mesmo assim, conseguiu entender o quão chato era o antigo nome.
Para mim, uma marca deve sempre criar um sentimento positivo. Deve ser bacana, sabe? O nome Amo veio disso. Da tentativa de gerar um sentimento bom antes mesmo do racional entrar em campo.

E essa mudança foi um reflexo de uma mudança profunda que estava fazendo na agência há alguns anos. Uma mudança de visão tão drástica que o antigo nome (Publicidade Interativa) não combinava mais. Era muito careta. Muito formal. Muito chato, mesmo. O gringo tinha razão.

Um pouco depois, acabou rolando um outro encontro daqueles que acontecem raramente. Em uma viagem para o Atacama, conheci o Oskar. Foi totalmente por acaso. Como estávamos no mesmo hotel, acabamos conversando muito sobre um monte de coisas e, meio a essas conversas, acabamos falando sobre publicidade e de como ela está chata e repetitiva. O Oskar se identificou e, alguns meses depois, a conversa evoluiu para o lado do trabalho e acabei conhecendo a OM.art, que é a empresa de branding dele, que assina hoje todo nosso projeto de identidade da marca. Um trabalho sem o qual a Amo seria apenas um nome. Não uma marca. E esse foi o ponto alto do projeto feito pelo Oskar.

A Amo é sempre assinada ao vivo por nossa equipe. E isto tem tudo a ver com o que fazemos. É a personalização obrigatória que a indústria de serviços profissionais precisa ter, mas não tem. Cada vez mais, tentamos padronizar, quando deveríamos personalizar.

VoxNews – A Amo vem de um histórico digital e agora proporciona aos clientes uma comunicação integrada entre o on e o offline, o caminho inverso das grandes agências. Com essa expertise digital você acredita que a Amo sai na frente na disputa por trabalhos mais específicos?

Bruno Dreux – Vou responder esta pergunta com uma outra. O que é mais fácil, transportar uma história contada em um filme para um outdoor ou transformar uma peça publicitária de um outdoor em um filme?

O digital é, na minha visão, tem que ser pensando antes do filme. Precisa ser uma resposta direta da estratégia de comunicação. Tem que ser muito mais que uma peça publicitária. Precisa ser amplo e englobar também a função publicitária. Ou seja, o digital tem um papel complexo. É ponto de contato, experiência, serviço e publicidade. Tudo ao mesmo tempo. E, para nossa sorte, as agências tradicionais simplesmente não conseguem entender isto. É como ouço alguns clientes reclamarem comigo: “A solução de tudo para as agências antigas é sempre um plano de mídia, não importa o problema. Não dá mais.”

O fato da Amo ter um profundo conhecimento do digital e ser uma agência totalmente integrada faz com que entreguemos estratégias ao invés de simples campanhas. E estratégias que trazem o digital com um peso que merece, não com o peso que hoje é refletido no share de mídia. As marcas que conquistaram uma boa eficiência de mídia são aquelas que investem bem mais no digital que a maioria.

Um dos cases da Amo que exemplifica muito bem isto foi com um cliente de educação que estava acostumado a investir muito mais no off-line, mas todo processo de inscrição do vestibular era online. Hoje, parece óbvio, mas na época era assim que o mercado fazia. Ousamos e realizamos um grande ajuste no equilíbrio da verba on e off e o resultado foi um recorde histórico de 40 anos de inscrições e um aumento de 25% de alunos na graduação.

VoxNews – Quais as características que você busca no profissional que deseja atuar na Amo?

Bruno Dreux – Uma vez ouvi do Chuck Porter da CP+B a melhor resposta sobre o tema e por isto vou tomar a liberdade de citá-lo: “Cérebro, talento, paixão, curiosidade e experiência. Nesta ordem. Publicidade a gente ensina em uma semana. Você não consegue ensinar talento.”

VoxNews – O que você destacaria como principal diferencial da agência?

Bruno Dreux – Sermos uma agência integrada que veio do digital. Os clientes que entendem o incrível aumento de resultado que isto pode trazer se tornam nossos melhores clientes.

VoxNews – Cite alguns dos principais trabalhos.

Bruno Dreux – Por sermos totalmente focado em resultado para o cliente, prefiro contar alguns grandes marcos que fizemos nos últimos anos. Claro, todo resultado vem da criatividade, estratégia e mídia. Que, nos cases abaixo, fomos responsáveis de ponta a ponta e pela mídia on e off-line.

Para a Unigranrio, a segunda maior universidade privada do Rio, batemos o recorde de alunos inscritos dos últimos 40 anos da instituição, entregando um crescimento de 25% do resultado anual.

Já para a Laureate Hospitality International, criamos uma campanha que foi veiculada pela Amo em 35 países, mas trouxe resultado em mais de 100 países.

Para a Bio Energias, uma empresa que atua no mercado livre de energia elétrica, conseguimos gerar mais de 1.000 leads qualificados e o aumento de 0% para 3% detop of mind comprovados por uma pesquisa feita pela Millward Brown.

VoxNews – Como a equipe está formada? Você está à frente de todos os trabalhos?

Bruno Dreux – Até ontem tínhamos a estrutura padrão de agência. Planejamento, criação (englobando tecnologia), mídia, atendimento e financeiro. Neste exato momento, estamos em mais uma onda de profunda transformação e devemos trazer ao time economistas, administradores e pessoas de marketing.

VoxNews – Em um ano complicado para a economia, a agência já sente a crise? Como será 2015 para a Amo?

Bruno Dreux – Na crise, os clientes estão revendo seus orçamentos e começando a se questionar se realmente precisam pagar por todo overhead de uma agência tradicional como as da época de “Mad Men”. Não faz o menor sentido um cliente preferir manter uma agência que demite talentos para manter status. Em uma crise, tudo será questionado, inclusive (e principalmente) a eficiência da mídia.

Então, é justamente pelo fato do nosso profundo conhecimento do digital entregar um mix de mídia muito mais eficiente, que 2015 está sendo um ano fantástico. Estamos crescendo e devemos fechar o ano muito bem. Nosso melhor ano.

VoxNews – Já podemos pensar em metas para 2016?

Bruno Dreux – Com certeza! Acho que os orçamentos de 2016 serão mais áridos que os do segundo semestre deste ano. E, justamente por isto, continuaremos crescendo. Estamos projetando um 2016 com crescimento de pelo menos 50% e para isto estamos trabalhando dduro em 2015.
Hoje, nosso cliente ideal é aquele que é atendido por um grupo multinacional, sem precisar, e se sente como o último da fila. É o cliente que, apesar do fee altíssimo que paga, sente que está em segundo plano, só porque não investe mais de R$ 200 milhões em TV por ano. É o cliente que percebeu que dentro do custo da agência, estão outros que não fazem o menor sentido.

Deixe um Comentário