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BOLA DA VEZ

Lucas Ribeiro – redator e escritor

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“Nossos cachorros tinham enterro de gente” é o título do livro que está sendo lançado pelo redator Lucas Ribeiro. Através de poemas, o autor promove um passeio pela sua infância, seus medos e enfrentamentos.

 

“O livro trata, sobretudo, de encontros. O encontro entre o concreto e o desconhecido, entre a dor e a brincadeira, entre a vida e a despedida. São memórias que, de alguma maneira, ainda podem ser tocadas até hoje”, conta o escritor em entrevista ao Bola da Vez.

 

Lucas, que iniciou carreira no Rio de Janeiro em agências e se destacou no mercado de São Paulo, tem passagens pela Africa, Lew’Lara, BETC e Crispin Porter + Bogusky. Agora, está de mudança para o mercado norte-americano.

 

“Nossos cachorros tinham enterro de gente” sai pelo selo doburro e já pode ser encontrado nas redes sociais do autor. O livro também vai estar disponível no Kindle. A capa de livro tem assinatura do diretor de arte Alexandre Kazuo, dupla de Lucas há seis anos.

 

VoxNews – Como surgiu a paixão por livros?

 

Lucas Ribeiro – Uma vez, eu ouvi um escritor comentar que, em um país onde pouquíssimas pessoas têm acesso à alfabetização, saber ler é um direito que deveria ser exercido dever. Olhar por esse prisma do privilégio me trouxe uma ideia muito forte de responsabilidade. Sou apaixonado por livros porque leitura nos traz a possibilidade de transformação, enquanto indivíduos e, consequentemente, enquanto sociedade. Quem nunca leu e pensou: “nossa, não tinha parado para pensar nisso”? É a sensação de descobrimento e aprendizado que me atrai.

 

VoxNews – E a vontade de escrever?

 

Lucas Ribeiro – É curioso a gente falar sobre “vontade de escrever”. Não me vejo escrevendo porque gosto, mas porque preciso. Há uma necessidade interior. Escrever é um ato de exposição, de enfrentamento, e há um desgaste grande nesse exercício. Um expurgo. Nesse sentido, escrever me parece mais como a natação. Aquela sensação boa que vem da conclusão de algo árduo.

 

 

VoxNews – A redação surgiu em função dessa vontade em escrever?

 

Lucas Ribeiro – A redação surgiu como uma oportunidade de ter a escrita presente na minha vida. Esse ofício me permite encontrar as palavras diariamente, conhecê-las, ser surpreendido. Criar, no fim das contas, é descobrir.

 

VoxNews – E por que poemas?

 

Lucas Ribeiro – Na verdade, escrever poesia foi uma grande descoberta para mim. É um tipo de escrita que eu não tinha tanta proximidade. A poesia é um estilo que nos atravessa muito: a forma influencia no conteúdo e o conteúdo na forma. Falamos do passado em uma frase e, na outra, estamos no presente. O subjetivo muda para o material de repente. O texto poético proporciona essas esquinas, em que cada linha nos leva para um lugar totalmente diferente de onde estávamos. Acho que o desafio de fazer algo que eu não tinha domínio nenhum me atraiu. Um processo de aprender sobre a escrita e sobre mim mesmo.

 

VoxNews – Em algum dos seus trabalhos em publicidade você chegou a usar a técnica da poesia?

 

Lucas Ribeiro – Embora os manifestos acabem tendo um viés mais poético, ainda não consegui. Por enquanto, a poesia e a publicidade ocupam lugares diferentes na minha vida. Ambos especiais.

 

VoxNews – Qual mensagem você quer passar com “Nossos Cachorros Tinham Enterro de Gente?” 

 

Lucas Ribeiro – O livro não tem uma “moral da história”. É muito mais um passeio. Nele, eu trago o olhar de uma criança que está aprendendo a ver e a significar o mundo. Por isso, o livro trata, sobretudo, de encontros. O encontro entre o concreto e o desconhecido, entre a dor e a brincadeira, entre a vida e a despedida. São memórias que, de alguma maneira, ainda podem ser tocadas até hoje.

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