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Cayto Trivellato, sócio do Cabaret Studio: “A trilha não entra só como música, mas como parte da narrativa”

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Na disputa por atenção em um ambiente de comunicação cada vez mais saturado, o áudio se consolida como um elemento estratégico para reforçar a identidade das marcas e ampliar a efetividade das campanhas. Mais do que etapa final, trilha e sound design passam a atuar como recursos centrais na construção narrativa e na diferenciação criativa.

Sócio do Cabaret Studio, Cayto Trivellato defende um modelo que prioriza a escuta da história e a construção narrativa como base do trabalho sonoro. Nesta entrevista ao VoxNews, o executivo aborda o papel do áudio na comunicação contemporânea, os impactos das novas tecnologias no processo criativo e os caminhos para integrar o som de forma mais estratégica desde a concepção das campanhas.

 

VoxNews – Em um mercado cada vez mais visual e imediato, qual é hoje o papel estratégico do áudio na construção de marca e na diferenciação das campanhas publicitárias?

 

Cayto Trivellato – Hoje o público realmente tem a necessidade de se identificar com o material em poucos segundos, cabendo ao som e a imagem, de buscar a atenção e já passar essa identificação da marca desde seu key visual até na trilha com suas melodias ja memoráveis ou timbres e estilos musicais. Tudo tem que estar muito bem amarrado pra ser rapidamente identificado. Quanto a captar a atenção, temos que de alguma forma, trazer a curiosidade com algo inusitado, com algo que seja capaz de captar essa audiência e mantê-la pro resto do material.

 

VoxNews – A Cabaret defende uma lógica em que a trilha nasce da escuta da história, e não da imposição de estilo. Como essa visão dialoga com a pressão do mercado por tendências sonoras rápidas e facilmente reconhecíveis?

 

Cayto Trivellato – A Cabaret tem uma vertente diferente, foi criada por publicitários e cineastas e nao músicos, então nosso compromisso é muito mais com a narrativa e em contar uma boa história, em ter suas pausas, seus momentos e suas acentuações do que propriamente a preocupação apenas com a trilha do momento. A trilha do momento por osmose já está encravada no time, na toca no corredor pela força do hábito, mas saber contar uma história, isso leva mais tempo. E é com muito orgulho que dos 12 produtores que trabalham hoje conosco, 10 começaram com a Cabaret no mercado há 10 anos, uma cultura bem difundida dentro da produtora.

 

VoxNews – Com a incorporação de novas ferramentas digitais e inteligência artificial ao audiovisual, onde a tecnologia efetivamente potencializa o trabalho sonoro e onde ela ainda exige curadoria e sensibilidade humana?

 

Cayto Trivellato – Como mencionado na pergunta, a IA é uma ferramenta, ela é um meio que sem o direcionamento do produtor nao rende nada, assim como Sample foi, como Midi foi, como inúmeras ferramentas ja passaram pelo mercado do audio e já ouvimos que iam acabar com a mão de obra do mercado, mas muito pelo contrário: a cada nova ferramenta só fica mais claro o talento que se deve ter pra direcioná-la, pra usá-la. Ainda vejo a IA como uma ferramenta que ajuda nas ideias do filme, nos layouts, acho que ainda vai se desenvolver muito pra chegar ao nível da demanda do mercado publicitário que é muito exigente.

 

VoxNews – Do ponto de vista do áudio publicitário, que movimentos você acredita que vão ganhar força nos próximos anos: mais minimalismo, mais experimentação sonora ou uma volta ao som orgânico e autoral?

 

Cayto Trivellato – A propaganda busca sempre o nível de realidade, porém a sensação de realidade muda constantemente. Quando se vê um filme ou outro filme publicitário onde pareceu real com nada de sound design, esse vira nosso norte, às vezes o oposto acontece também, a referência tem som da rua, ambulância passando, passos, trilha ambiente, entre outros. Difícil aqui prever, o que posso afirmar é que o compromisso sempre foi, e seguirá sendo, mostrar o que é real no filme para a audiência. E, quando entramos no território da trilha, é a escolha pela atualidade, a essência do produto e os valores que ele carrega.

 

VoxNews – Pensando em marcas e CMOs, como o áudio pode deixar de ser tratado como etapa final do processo e passar a ocupar um papel mais estratégico na concepção das campanhas em 2026?

 

Cayto Trivellato – Os problemas existem nos roteiros ou nas demandas, desde suas criações e muitas vezes o audio pode ajudar a solucionar isso, a trilha não entra só pra colocar uma música, mas pra ajudar numa narrativa, criar estratégias junto a outras áreas e trazer experiências de outros trabalhos que possam ter tido o mesmo desafio pra essa campanha com intuito de superar esse ponto.

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