A criatividade não termina quando o expediente acaba.

Janecy Nascimento, fundadora e maestrina da Loud: “Música, maquetes e afetos: d’accord!”

Por voxnews2 min de leitura

Desde que me conheço por gente, estou envolvida com música. É minha atividade profissional, mas não a única. Tenho quatro filhos, cada um com sua personalidade, interesses e seu universo particular. E cada um me apresentou a mundos que talvez eu nunca tivesse explorado sozinha: costura, tricô, marcenaria, pintura, gastronomia, maquetes, engenhocas, reparos domésticos. Além de escrita, pesquisa, psicanálise, antroposofia, trilhas, escaladas e outras aventuras. Um universo puxa o outro, e as oportunidades de colocar tudo isso em prática simplesmente brotam.

 

Festa junina ou teatro na escola? Job na casa, com minha máquina de costura cantando. No inverno, tricotar – sempre havia uma demanda. Natal e crianças… como não construir uma cidadezinha em miniatura? Casinhas, ruas, postes iluminados, trem, trilhos, carrinhos, igreja e, claro, neve, o básico. Para tocarmos juntos, compunha pequenos arranjos para nossos conjuntos de flautas diante da lareira. O tempo passa rápido e logo já estava montando microfones para gravar as novas bandinhas de punk rock.

 

Calcule: com quatro filhos, multiplicam-se as “oportunidades” de produzir bolos de aniversário em formatos improváveis e estética duvidosa. Me especializei! Sem reunião de kickoff, sem PPM, sem briefing. Criar e produzir: um paraíso! E, considerando a idade dos miniclientes, a aprovação era garantida e com zero refação.

 

Mas não rendeu só no prazer. Quando construímos as coisas, elas também constroem algo em nós. Há, claro, os vínculos e afetos que nascem dessas experiências. Mas quero falar de outra coisa: aprendi que, quanto mais variadas são nossas experiências sensoriais e cognitivas, mais diversificados se tornam nossos recursos internos. Porque é o nosso repertório que estrutura nossa maneira de perceber, pensar, sentir e criar.

 

Além disso, desenvolver diferentes capacidades modifica a maneira como elas trabalham juntas. E, quando transitamos entre elas, essas ferramentas internas começam a circular, uma invade o território da outra, sem pedir licença.

 

A liberdade de experimentar o mundo com todos os sentidos, inclusive de maneiras para as quais eles não foram originalmente convocados, me motiva, me empolga, me comove até. Talvez por isso eu goste tanto de trabalhar com audiovisual: um universo onde o som conversa com a cor, a luz, o movimento, a palavra… até com o não dito.

 

(Uau… adoro esse momento de silêncio!)