Radar Cannes: Diego Locatelli, cofundador e diretor da Drift
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Ao analisar algumas campanhas e movimentos recentes que devem ganhar espaço nas conversas em torno de Cannes, Diego Locatelli, cofundador e diretor da Drift, demonstra menos interesse em prever resultados e mais em compreender o que esses trabalhos revelam sobre o momento atual da criação. Para ele, apesar das diferenças entre os projetos, todos parecem convergir para uma mesma questão: a força de uma campanha não está apenas na ideia, na tecnologia ou na execução, mas na clareza da decisão criativa que organiza e dá sentido a todos esses elementos.
1 – Coca-Cola México, Last Coke in the Desert
Em “Last Coke in the Desert”, da Coca-Cola México, que eu vejo com força em PR, Brand Experience & Activation e Outdoor. Gosto muito porque a campanha pega uma expressão popular, “a última Coca-Cola no deserto”, e transforma isso em uma homenagem real aos comerciantes e comunidades que mantêm a marca viva em regiões remotas do México. Não tenta fazer uma celebração gigante dos 100 anos da Coca-Cola no país, vai para uma escala mais humana, de estrada, calor, pausa e encontro. Talvez eu olhe para esse trabalho também por uma memória próxima, já que codirigi na SUGAR uma campanha para Coca-Cola chamada Thanks for Coke-Creating, que também falava de coautoria entre marca, cultura e comunidade. Para mim, é um case forte porque escuta a cultura antes de transformar isso em comunicação.
Melhor Amigo AI, de PEDIGREE, é um forte candidato em Direct, Brand Experience & Activation, PR, Social & Creator e Use of AI. O que eu gosto aqui é que a campanha usa IA sem deixar a tecnologia virar o assunto principal. Ela começa brincando com essa ideia de um amigo artificial, mas no fundo está levando as pessoas para cães reais disponíveis para adoção. É simples, emocional e muito atual. Tem cara de Cannes porque pega uma conversa quente sobre IA e solidão e devolve para um lugar muito mais concreto, humano e verdadeiro.
3 – Anthropic, Keep Thinking / Can I Get a Six Pack Quickly?
Também lembro de Keep Thinking, da Anthropic, especialmente pelo filme “Can I Get a Six Pack Quickly?”, que eu colocaria em Film, Film Craft, Creative B2B e Strategy. Acho interessante porque é uma campanha de IA que não tenta parecer futurista demais, nem vender tecnologia como mágica. Ela fala de confiança, pensamento e modelo de negócio com humor, o que é raro numa categoria que muitas vezes fica presa em discursos muito grandiosos. Para mim, o acerto está em transformar uma discussão técnica sobre IA em uma ideia simples de cultura e comportamento.
