Radar Cannes: Claudio Cinelli, COO do Grupo Papaki
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Para Claudio Cinelli, COO do Grupo Papaki, algumas das campanhas mais fortes desta temporada de Cannes Lions têm em comum a capacidade de transformar temas contemporâneos em narrativas de alto impacto criativo. Entre os trabalhos que considera com maior potencial de reconhecimento estão “Afogados”, da Vivo, “Pacto do Skincare Responsável”, do Grupo Boticário, e “The Triangle Theory”, de Doritos — cases que, na sua visão, combinam relevância cultural, excelência de execução e forte conexão emocional com o público.
A campanha “Afogados”, da Vivo, tem muito potencial na minha visão. Ela fala sobre como o uso excessivo das telas pode trazer ansiedade, sobrecarga mental e sufocamento no dia a dia. O que mais gosto no filme é a maneira como tudo foi pensado e executado. Começamos numa cena cotidiana, aparentemente normal, e o filme segue assim enquanto a água começa a subir lentamente, sufocando o ambiente e a personagem, que sequer percebe o que está acontecendo. Isso provoca em quem assiste uma sensação real de falta de ar. Quando ela finalmente coloca o celular de lado e volta para a vida, nosso peito até agradece. Tudo isso embalado por um craft impecável.
2 – “Pacto do Skincare Responsável” – Boticário
“Pacto do Skincare Responsável”, do Grupo Boticário, é outra campanha que aborda um tema extremamente atual e que precisa de visibilidade. Com dados concretos e uma cinematografia elegante, o filme mostra como meninas e adolescentes são impactadas pela ditadura da beleza estereotipada. É um tema urgente, e levar essa discussão para as telas foi uma decisão muito inteligente — especialmente vindo de uma marca que vende beleza. Acho que este festival deve premiar cada vez mais marcas que olham para dentro de si e demonstram preocupação genuína com o impacto que geram nos seus consumidores. Por isso, vejo muito potencial nessa campanha.
3 – “The Triangle Theory” – Doritos
A força de “The Triangle Theory” fica evidente já no primeiro play. A história é de 2002 e, não importa se você nasceu antes, muito antes ou depois disso, você imediatamente entende do que se trata. Isso mostra o tamanho do engajamento e da memória afetiva que a “marca” Ronaldo carrega — especialmente em ano de Copa do Mundo. Uma teoria completamente absurda, contada como se fosse uma descoberta séria e definitiva, cria um humor que muda completamente o status da campanha. E, no fim, ela ainda aproveita o Brasil na sua máxima potência simbólica: Seleção, Copa do Mundo, Ronaldo, humor e futebol. Os gringos adoram.
