Na minha casa, todo mundo canta. Pais, tios e primos vivem de música e foi nesse ambiente que eu pintava, dançava e cantava antes mesmo de entender que aquilo tinha nome. Aos 11 anos, porém, outro caminho apareceu: um publicitário de Sorocaba me viu desenhando meus próprios quadrinhos, conversou com meus pais e me levou para conhecer a agência dele. Lá eu entendi exatamente o que eu seria quando crescesse: um publicitário!
Desde então, arte e comunicação andam juntas na minha vida e eu recuso a ideia de que uma seja o prêmio de consolação da outra. Dizem as más línguas que todo publicitário é um artista frustrado, mas eu luto contra esse estigma. Entendo comunicação como um tipo de arte também.
Crescer no interior significava ter pouco acesso ao teatro, até porque fazer arte custa caro. A virada veio com a mudança para São Paulo, quando a minha própria profissão me abriu as portas do mercado teatral. Comecei fotografando espetáculos, passei a estudar atuação
e, aos poucos, saí do backstage para o palco.
Hoje, com sete anos de carreira em estratégia de conteúdo e branding, vivo meu primeiro trabalho profissional em “Baleia”, que
acompanha a travessia do sertão pelo olhar da cachorrinha de Graciliano Ramos, através de música e fábula. Além de integrar o elenco, divido a direção musical e assino os arranjos vocais das canções. O espetáculo circula com apoio da Secretaria da Cultura do Estado de
São Paulo, em sessões gratuitas.
A voz, aliás, é a minha grande paixão entre todas as linguagens. Tem origem clara: minha mãe, Vanessa Sousa, preparadora vocal com mais de 30 anos de experiência com corais e canto popular em Sorocaba e região. Tudo o que sei e continuo aprendendo sobre voz é um legado que ela deixa para mim. É também pela voz que passam meus próximos passos.
Quero me aventurar na dublagem e ainda guardo um sonho curioso e sincero: ser backing vocal de um artista pop e dividir o palco de um grande festival, não como headliner, mas logo atrás dele.
Fora dos palcos, já levei arte a casas de acolhimento de crianças, a comunidades de São Paulo e até ao sertão nordestino. Em 2022, num povoado isolado na região de Tarrafas, no interior do Ceará, ministrei um workshop de performance vocal durante uma viagem de impacto social. São projetos que só são possíveis por causa da minha profissão.
A comunicação me proporciona acessos que não sei se teria em outro caminho, e falo financeiramente mesmo. O fomento cultural é importante. Conciliar tudo isso com a rotina de agência exige disciplina: a comunicação segue como prioridade e os ensaios ocupam as noites e os fins de semana. Nesse equilíbrio, o apoio da Newton, que abraça o meu trabalho no teatro, faz toda a diferença. A troca entre os dois mundos acontece nos dois sentidos: a comunicação afinou meu olhar para cenas, personagens e atmosferas, enquanto o palco me deu desenvoltura para improvisar diante de câmeras e plateias, como host de podcast ou em coberturas de eventos. Teatro é para a
vida!
Alyo Sousa é conteudista da Agência Newton, com experiência em estratégia de conteúdo, branding e storytelling. Sua trajetória une comunicação e artes na busca por conexões autênticas entre marcas e pessoas.


