Rafa Rocha – CCO da Noize: “A América Latina vive um momento único de integração cultural”
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A Noize inicia pela Argentina seu primeiro movimento de expansão internacional, levando ao país um projeto que começou a ser desenhado ainda nos primeiros anos de atuação da marca. A chegada ao mercado argentino também marca uma nova etapa para o Noize Record Club e coloca a empresa diante de uma ambição maior: contribuir para aproximar cenas, artistas e públicos da América Latina.
Para Rafa Rocha, CCO da Noize, a escolha da Argentina combina uma relação histórica da empresa com o país, a força de sua cultura musical e um cenário favorável à retomada do vinil como experiência de consumo. Em entrevista ao VoxNews, o executivo fala sobre os planos para a nova operação, as oportunidades de negócios na região e o papel que a Noize pretende assumir na construção de uma ponte entre as músicas brasileira e argentina.
VoxNews – Por que a Argentina foi escolhida como o primeiro mercado internacional da Noize e quais critérios pesaram nessa decisão?
Rafa Rocha – A Argentina sempre foi um objetivo — ou melhor, um sonho — para a expansão da Noize como veículo e do Noize Record Club. Desde muito cedo, viajávamos ao país para assistir a shows, muito por conta da proximidade geográfica com o Rio Grande do Sul, onde a Noize nasceu.
No início da revista, entre 2005 e 2007, fazíamos viagens frequentes à Argentina para acompanhar turnês internacionais. Na época, era mais barato e prático voar de Porto Alegre para Buenos Aires do que para São Paulo, já que havia voos diretos. Por isso, durante os primeiros anos da revista, até por volta de 2010, a Argentina se tornou um destino constante para nossa equipe.
Nessas viagens, percebemos uma grande afinidade entre o público argentino e o que acreditávamos como projeto editorial. Chamava a atenção a forma como os argentinos consomem música, valorizam veículos especializados e demonstram uma paixão genuína tanto pela música quanto pela cultura local. Essa identificação sempre reforçou nossa vontade de, um dia, desenvolver um trabalho no país.
VoxNews – Além da expansão geográfica, que oportunidades de negócio essa operação abre para a Noize em termos de novos produtos, parcerias e fontes de receita na América Latina?
Rafa Rocha – Sempre tivemos esse objetivo e a vontade de um dia expandir a Noize para a Argentina. Naquela época, o Noize Record Club ainda não existia, então esse desejo estava voltado principalmente para a revista. Era um plano que fazia parte da nossa visão de longo prazo.
Agora, com esse novo movimento, enxergamos a possibilidade de dar um passo além. A expansão para a Argentina também abre caminho para que, no futuro, possamos chegar a outros países da América Latina.
Acreditamos que a América Latina vive um momento de integração cultural como talvez nunca tenha vivido antes. Por isso, queremos que a Noize também seja um veículo capaz de fortalecer essa conexão entre os países da região, aproximando cenas, artistas e públicos do Brasil, da Argentina, do Chile, da Colômbia e de tantos outros lugares que compartilham essa identidade latino-americana tão rica e diversa.
VoxNews – O mercado de vinil vive um novo momento em diversos países. Como a Noize avalia o estágio de maturidade desse segmento na Argentina e quais diferenças enxerga em relação ao Brasil?
Rafa Rocha – Acreditamos que este é um momento muito propício para utilizar o vinil como plataforma para essa expansão. Observamos que tanto o mercado brasileiro quanto o argentino — e a América Latina como um todo — vivem um processo de crescimento e consolidação do vinil como a principal mídia física para o consumo de música.
Por isso, entendemos que este é o momento ideal para dar esse passo. Inclusive, nossa campanha reforça essa ideia ao afirmar que “a música volta a ser física”. Acreditamos que as pessoas estão buscando uma conexão mais profunda e significativa por meio das relações humanas. Em um cenário em que as interações rápidas e digitais se tornam cada vez mais comuns, cresce também o desejo de experiências mais tangíveis e autênticas.
Nesse contexto, o vinil representa muito mais do que um formato de reprodução musical. Ele simboliza um novo modo de se relacionar com a música, oferecendo uma experiência mais atenta, sensorial e duradoura. Acreditamos que essa retomada da mídia física faz parte de um movimento cultural mais amplo e que o vinil tem um papel central como catalisador dessa transformação.
VoxNews – A proposta é criar uma ponte entre as cenas musicais brasileira e argentina. Como essa integração pode gerar valor para artistas, gravadoras e para a própria indústria da música na região?
Rafa Rocha – Nossa ambição é construir, na Argentina, um trabalho tão sólido quanto o que desenvolvemos no Brasil. Ao longo dos últimos anos, consolidamos o Noize Record Club valorizando e divulgando a riqueza dos diferentes gêneros da música brasileira. Agora, iniciamos um novo capítulo com o mesmo propósito: explorar, celebrar e fortalecer a cultura musical argentina.
O clube foi concebido com foco na música local, respeitando a identidade e a diversidade da cena argentina. Ao mesmo tempo, esse movimento marca um passo importante para a Noize, que passa a atuar nas duas principais línguas do continente — português e espanhol.
No futuro, queremos que essa expansão também estimule um intercâmbio cultural cada vez maior entre os dois países. Nossa intenção é aproximar os públicos, fazendo com que os brasileiros descubram mais da música argentina e, ao mesmo tempo, levando para a Argentina a experiência acumulada em mais de dez anos de Noize Record Club no Brasil. Queremos contribuir especialmente para ampliar a visibilidade de novos artistas brasileiros, criando uma ponte entre as duas cenas musicais e fortalecendo a circulação da música latino-americana.
