BOLA DA VEZ



O Bola da Vez é o espaço que o Vox News reservou para, através de entrevistas, mostrar o trabalho e a opinião de profissionais que estão se destacando no meio da comunicação e daqueles de quem ainda vamos ouvir falar...

Por Amanda Corrêa


Paulinho Bessa, sócio da Capitão Musical

11/05/2017

 

Reivenção. Esse é o lema de Paulinho Bessa, sócio da Capitão Musical, que tem como slogan “Música boa tem super poderes”, independente do gênero. Sempre estudando novas tendências, Paulinho apostou em uma estrutura moderna, localizada na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, com equipamentos de ponta. Mas, principalmente, um espaço para receber clientes e artistas. “Usei de uma forma bem planejada os lucros obtidos com o antigo formato da produtora. Os investimentos foram altos em todos os sentidos, sim. Foi preciso crescer! Mas crescemos enxutos”, revela Paulinho.
 
Paulinho Bessa, além de músico e produtor, tem um consistente trabalho de locução. A voz dele pode ser ouvida em trabalhos de diversas marcas como Corolla, Citroen, Peugeot, Granfino, Oi, Mobil, Vale, TSE, Metrô Rio, UVA e Cultura Inglesa? Confira à entrevista e sejam bem vindos à Capitão Musical.

 

VoxNews – Como surgiu a criação da Capitão Musical?

 

Paulinho Bessa – A Capitão veio com um olhar além da publicidade. Produzindo músicas. Produzindo remixes. Produzindo artistas. Assim pude me oxigenar por diversas fontes, e, hoje, posso agregar todos esses conceitos na produtora trazendo novas tendências e compartilhando essa expertise. Nascemos com um formato simples e enxuto, mas sempre ágil  e versátil. Isso nos ajudou muito a crescer e chegar até aqui.

A logo, criada por Fábio Onofre (hoje na Agência3) sintetiza tudo o que a Capitão Musical é. Mas, segundo Álvaro Rodrigues (CEO da 3A Worldwide), faltava um slogan. E assim, ele criou ”Musica boa tem super poderes”. Foi a cereja do bolo. Para fechar, o designer Gustavo Marcula (da Morya) finalizou toda a identidade visual da empresa com maestria.

 

VoxNews – Como você ainda estuda música e tendências? Sua relação com a música também foge a área de publicidade. Pode nos contar?

 

Paulinho Bessa – Não tenho preconceito com estilos musicais. Existem diversos gêneros, mas, para ser produtor musical preciso ser eclético e abrir o leque. Só assim posso agregar e até mesmo ditar novas tendências. Música boa é musica boa! Simples assim. Lancei o primeiro sucesso do Gabriel O Pensador. Gravei de Latino a remix para Bruno Mars. E estou sempre buscando novas tendências.

 

A música não foge da área de publicidade, muito pelo contrário, é a publicidade que tenta fugir dela. De novos ritmos que assombram a cabeça de vários criativos. Porém, é fundamental para o cliente. Porque vendem e aproximam os consumidores de grandes marcas. Não podemos brigar com esses novos segmentos. É o que domina o mercado. O sertanejo está aí embalando grandes marcas em horário nobre, por exemplo.

 

Continuo compondo, produzindo alguns artistas, fazendo remixes, além de grandes parcerias com DJs. Sempree discutindo tendências. Acredito que o futuro é o que fazemos agora. E por isso nunca estou parado.

 

VoxNews – Você também tem um trabalho bastante consistente com locução ?

 

Paulinho Bessa – Não me imaginava atuando ou fazendo locuções. Aconteceu naturalmente. A vivência no estúdio me ajudou muito a entender que a narrativa mudou. Mas muitos locutores não entenderam isso e  e mantiveram seus estilos. Não estão errados, não. A locução tradicional é rara, mas ainda existe. Só que as agências buscam uma nova forma de se comunicar. Fugindo da tradicional locução e partindo para uma narrativa mais conversada e natural. E é isso que o publico compra porque se identifica com essa a narrativa.

 

Dirigindo vários atores que pude entender isso e aprender a fazer algo diferente. E foi aí que entrei nessa. Preparei um portfólio, mandei para vários estúdios de São Paulo e Rio de Janeiro e comecei a participar de vários testes. Assim, começou.

 

Hoje, tenho minha voz em diversas marcas como Corolla, Citroen, Peugeot, Granfino, Oi, Mobil, Vale, TSE, Metrô Rio, UVA, Cultura Inglesa, entre outras.

 

VoxNews – Estamos passando por um momento ainda delicado na política e na economia do país. Isso vem refletindo na Capitão Musical?

 

Paulinho Bessa – Se a crise afeta o cliente, afeta as agências, ou seja, afeta qualquer seguimento. Mas a crise não está alinhada com a qualidade. Nunca esteve. É um erro cortar verba de um job por conta da crise. Existem jobs que precisam de verba para finalizar grandes ideias.

 

Entendo que precisamos nos adequar para cada cenário apresentado pelas as agências e propor soluções compatíveis com o budget do cliente. Mas, não assumo esse risco se for comprometer o resultado final da produtora.

 

Comecei a Capitão na crise. Não tive capital ou investimento e precisei me reinventar. Por falta de grana pra comprar um Mac Pro de R$ 50 mil, montei um Hackintosh por R$ 5 mil (um PC rodando o sistema operacional da Apple) junto com o software Logic Áudio. Não pude comprar um microfone de R$ 50 mil, então comprei um microfone B1 da Behringer por  R$ 600,00. Não tinha uma interface de áudio HD, então utilizei uma interface de áudio simples, mesmo.

 

E foi assim que sai da crise na época. Com esse setup produzi a música mais executada no Brasil há 5 anos, “Dança Kuduro”. Esse “Oi Oi Oi”, na voz do Latino e abertura da novela “Av. Brasil”, da TV Globo, foi um fenômeno. Rendeu 47.5% de royaties para a empresa.

 

O Brasil é o país da crise, né gente! Só estamos passando por mais uma. Calma. A crise nos faz crescer. Nos mexer e sair da zona de conforto.

 

VoxNews – Você começou 2017  sendo premiado como Destaque na Produção de Som pela Associação Brasileira de Propaganda. O que representa essa premiação pra vc?

 

Paulinho Bessa – Ser premiado pela ABP é sem dúvida uma grande honra. Ainda mais num grande evento que, além da premiação, reuniu todo o mercado para refletir e repensar o futuro da comunicação com palestras de vários profissionais do mercado brasileiro. Tenho a certeza que ainda está ecoando muito por aí. Não precisamos compras ideias prontas e já consagradas. Temos capacidade de inventar sem medo de sermos questionados. Mostrar ao cliente novas tendências para vender e consagrar marcas.
Essa premiação vem confirmar que a Capitão Musical está no caminho certo. No caminho do novo. Mas não posso sonhar sozinho. Esse sonho precisa ser de todo o mercado. Acredito em dias melhores para todos, e sem esse movimento não teremos união. E sem isso, não teremos futuro.

 

VoxNews – Você investiu bastante na nova sede, com equipamentos de ponta. Podemos esperar mais novidades da Capitão Musical ainda esse ano?

A nova estrutura está linda e funcional. Contamos com um amplo estúdio para receber diversos clientes e artistas. Usei de uma forma bem planejada os lucros obtidos com o antigo formato da produtora. Os investimentos foram altos em todos os sentidos, sim. Foi preciso crescer! Mas crescemos enxutos. Sem gorduras.

 

Equipamentos de ponta tomaram o lugar do velho Hackintosh e de todos os outros brinquedos. Hoje todo o áudio é processado em HD. Telas de ultra 4k para ter uma visão mais ampla dos tracks e videos. Usamos os softwares mas conceituados no mundo com, por exemplo, o Pro Tools 12, Ableton Live  e Logic Pro X. Isso tudo com capacidade de até 256 canais de áudios e 512 tracks de instrumentos. Uma mesa totalmente computadorizada e preparada para fazer áudio em 5.1 (cinema). Mac Pro Apple. O Microfone B1 ainda utilizo com prazer, mas, investimos em um microfone Neumann e Prés da Avalon para capitação e mixagem. Além dos novos brinquedinhos eletrônicos da Native Instruments. E sejam muito bem vindos à nova Capitão Musical!

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