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BOLA DA VEZ

Glauco Ciasca, sócio e diretor de criação e estratégia da Brancozulu

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Depois de um tempo sem atualização por conta de problemas técnicos, o Bola da Vez retorna com Glauco Ciasca, sócio e diretor de criação e estratégia da Brancozulu. O profissional, redator por mais de 20 anos, tem passagens pela Grey e McCann. Além disso, trabalhou em Barcelona durante três anos na SCPF, do publicitário Toni Segarra. Com toda a experiência, Glauco afirma que o mais importante hoje em dia é a valorização das construções de marca.

O criativo ainda lidera uma equipe com profissionais de especialidades diversas desenvolvendo projetos para clientes como Certisign, Blue Tree Hotels, Bacalhau Bom Porto, rede Petland, Cervejaria Nacional, entre outros. Confira abaixo.

VoxNews – A propaganda tem passado por várias mudanças ao longo dos anos. Qual o futuro da propaganda?

Glauco Ciasca Acredito que o futuro da propaganda continuará sendo o que sempre foi: a arte de persuadir as pessoas. Comunicar, envolver, seduzir, engajar. Fazer com que as pessoas conheçam sua marca se identifiquem com ela e que, por fim, comprem e recomprem. Foi por isso que entrei nesse mercado. Sempre me pareceu interessante poder criar discursos estratégicos e criativos que pudessem mobilizar as pessoas, mudar suas atitudes. O que mudou é que hoje o consumidor é muito mais informado, mais exigente, menos bobo. E mudou também seu jeito de ser: comportamentos de compra e consumo de meios. Mas o desafio ainda é criar bons argumentos, boas histórias, boas ideias.

VoxNews – Online, offline, tudo está integrado?

Glauco Ciasca – A Brancozulu já nasceu completamente integrada. Temos 12 anos, quase 300 campanhas on e off e mais de 480 sites no portfolio. Venho do mercado off. Porque trabalho em propaganda há mais de 25 anos. Mas me adaptei ao online imediatamente. Hoje em dia, tenho gente na equipe de origem bem on e bem off. Todo mundo junto e misturado. Temos um escopo muito 360 na agência. E ficamos à vontade pra recomendar o que nos parece mais assertivo para o cliente, a estratégia que sabemos que trará mais resultados.

VoxNews – O que é preciso resgatar?

Glauco Ciasca – O “entendimento do problema”. Hoje em dia, vejo agências mais dedicadas à tecnologia, ao digital e às novidades do momento, do que tentando entender verdadeiramente da marca e seus produtos, do mercado e do público-alvo do cliente. Não tem diagnóstico. É como ir a um médico que te receita os remédios sem ouvir você, sem fazer exames, sem perguntar sobre seus hábitos ou histórico familiar. Muitos clientes acabam aceitando isso. Mas para mim, isso é sempre uma resposta vazia. Sem profundidade e nem um pouco assertiva. É por isso que não participamos de concorrências com entregas criativas. Levamos quase dois meses ouvindo, pesquisando, diagnosticando. Como poderíamos dar uma resposta em duas semanas, sem esse envolvimento? Precisamos valorizar mais as construções de marca, o trabalho bem feito e o longo prazo.

A pressão por resultados imediatos é muito grande. E isso não acontece assim. Ou quando acontece é quase enganoso. Certisign precisou de dois anos de investimento para se tornar líder em certificação digital. Maple Bear levou três anos para se tornar a principal referência em escola bilíngue. Não é da noite para o dia. É preciso muita consistência, dedicação, conhecimento, tempo e investimento. Porque construção de marca não é like no Facebook.

VoxNews – No que é preciso apostar?

Glauco Ciasca – Aqui temos apostado cada vez mais nas pessoas, nos profissionais da Brancozulu. Com tantas mudanças diárias acontecendo, é preciso que as pessoas estejam muito bem embasadas pra não se encantarem com modismos. É preciso que elas tenham coerência e consistência. É claro que estamos acompanhando e nos adaptando às mudanças. O próprio conceito da agência diz: somos uma agência de profissionais mestiços, uma agência mutante. Mas não podemos perder o norte na construção das marcas dos nossos clientes.

VoxNews – Contar histórias pode ser uma alternativa para os anunciantes?

Glauco Ciasca – Nunca deixou de ser. Inventamos termos novos pra isso: storytelling, por exemplo. Publicitário é ótimo para isso. Mas a verdade é que as histórias sempre fizeram parte da nossa cultura. É assim e sempre foi. As histórias emocionam, divertem e ficam guardadas por mais tempo na nossa memória.

VoxNews – Quais são os diferenciais da Brancozulu?

Glauco Ciasca – Acho que mergulhamos como ninguém na realidade dos nossos clientes. De verdade. Investigamos muito profundamente, antes de dar respostas estratégicas ou criativas. E isso faz toda a diferença. Algumas vezes, o processo chega a durar dois ou três meses. Além disso, temos um foco e um posicionamento bastante específico: ser a primeira boa agência dos nossos clientes, todos eles de médio porte. Clientes que estão começando seu processo de construção de marca, ou que precisam de uma grande virada. Foi assim com Certisign, Ituran e Maple Bear. E continua sendo com Petland, Blue Tree e Audibel. Com todos esses clientes temos cases com resultados bastante concretos. Tem um antes e depois muito claro e cristalino.

VoxNews – Em qual modelo de negócios a agência está apoiada hoje e como a Brancozulu tem se preparado para os próximos anos?

Glauco Ciasca – Nosso principal desafio é construir uma história de sucesso com nossos clientes. Somos um tanto obcecados com “fazer a diferença”. Todos na agência estão bastante sintonizados com isso. Da Criação ao Planejamento, da Mídia ao Atendimento. Todo mundo pensa resultado e construção de marca. Os clientes que realmente interessados em mudar sua realidade, ficam na agência bastante tempo. Os que não estão, saem logo. E é bom, porque não estamos interessados em fazer publicidade bonitinha e ordinária. O que interessa é mexer os ponteiros.

VoxNews – No final de 2018 a agência mudou de sede. Como é a nova estrutura e como está dividida a equipe?

Glauco Ciasca – Foi um grande passo. Estávamos bem instalados, bem próximos da Av. Paulista. Mas era um prédio corporativo. Mudamos para a Vila Madalena, para um galpão grande, de pé direito alto. É um espaço que provoca a interação das equipes, até porque criamos novos espaços além dos postos de trabalho.

VoxNews – Como você vê a profissão hoje em dia?

Glauco Ciasca – Tenho uma preocupação com essa profissão como um todo. Estamos cada vez mais caretas e sérios. Hoje isso me incomoda bastante. Trabalhei no começo da carreira e, também em Barcelona, na agência do Toni Segarra, com muita gente louca e alucinada. Gente divertida, que pirava no trabalho. Gente muito inteligente e criativa. Eram sociólogos, músicos, artistas gráficos, escritores que estavam trabalhando como publicitários. Toda essa loucura e mistura são muito saudáveis para a criatividade. E consequentemente para nossos clientes. Estamos perdendo isso. E conforme vamos perdendo, somos substituídos por equipes internas, por consultorias e gente bem pouco criativa. Seremos valorizados sempre que sejamos diferentes dos nossos clientes. Porque eles justamente estão comprando isso.

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1 Comments

  1. Edison Marzo 16/04/2019

    Parabéns, Glauco. E contínuo sucesso. Além de sonhador você sempre foi arrojado. Tem tudo para conseguir o que deseja. Abs.

    Responder

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