Raphael Dias – sócio e diretor de cena da SquarePixel Filmes

Por voxnews5 min de leitura

Sócio da SquarePixel Filmes ao lado de Daniel Lins (diretor executivo), Aramis Barros (diretor de fotografia) e Gabriel Nogueira (produtor executivo), Raphael Dias assina a direção de um dos cases mais premiados dos últimos tempos: “Refugee Nation” criado pela Ogilvy NY para a Anistia Internacional.

A ação permitiu pela primeira vez que atletas refugiados tivessem uma nação e uma bandeira para representar nos Jogos Olímpicos, durante o Rio 2016. Viralizou e tornou-se conhecida no mundo inteiro. Entre os prêmios que ganhou estão GPs e destaques em festivais como o The One Show e o D&AD. Sem falar na conquista de 18 Leões na última edição do Cannes Lions, sendo 1 GP for Good, 1 Titanium, 7 Ouros, 4 Pratas e 5 Bronzes. Confira o bate-papo.

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“The Refugee Nation” foi um trabalho grandioso também na produção, envolvendo muita gente. Como foi a participação da SquarePixel Filmes e quais as vantagens e desvantagens de ter tanta gente em um mesmo projeto?

Raphael Dias

Fala-se tanto em economia colaborativa que ter essa experiência foi incrível pra gente. Cada empresa e profissional envolvido contribuiu com seus conhecimentos e ferramentas de forma complementar. Se você sabe respeitar e somar ao trabalho do outro, não tem desvantagens, esse é o conceito do trabalho colaborativo. Nosso time SquarePixel Filmes dedicou 100 horas entre captação e produção, envolvendo toda a equipe e estrutura da produtora, com diárias em Nova York e no Rio de Janeiro. Foi um trabalho longo que durou um ano. Começou antes mesmo das Olimpíadas. Um esforço que valeu cada segundo da nossa dedicação.

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Trabalhar para uma agência internacional, no caso a Ogilvy de Nova York, é muito diferente de trabalhar com agências no Brasil? 

Raphael Dias

Por mais que a gente viva num mundo globalizado, ainda existem peculiaridades de mercado para mercado. Passar por essa experiência nos tornou mais fortes e prontos para novos desafios. Mas também tínhamos como interface os criativos brasileiros da Ogilvy NY, sob a direção criativa do Rodrigo Moran, do Arthur Lipori, do Caro Rebello, que entre outros lideraram um time enorme de muitos colaboradores talentosos e conseguiu fazer com que todos trabalhassem em total harmonia. Inclusive quando estivemos em Nova York para as captações internacionais, contamos com todo o apoio deles, que contavam com a estrutura da multinacional pra permitir que tudo saísse como deveria ser. Foi, sem dúvida, um trabalho grandioso e enriquecedor em inúmeros aspectos.

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Como foi voltar de Cannes com 18 Leões, sendo 1 GP for Good, e um Titanium, tão raro e desejado? 

Raphael Dias

O GP é realmente muito significativo pra todos os envolvidos na campanha por sintetizar o maior significado desse trabalho: dar voz, uma nação e uma bandeira para atletas refugiados e, indiretamente, para todas as pessoas na mesma condição, atletas ou não. E essa mensagem se espalhou pelo mundo inteiro. Além disso, tem o reconhecimento profissional de que valeu a pena cada segundo de dedicação estudando, planejando, produzindo, captando e editando para “The Refugee Nation”. Do ponto de vista de negócios, claro que os prêmios jogam o holofote para a produtora, abre algumas portas. Mas o que conta mesmo na hora de fechar trabalho é a sua experiência, o seu time, a estrutura que você tem e o que pode oferecer. O que podemos dizer é que continuamos trabalhando pra caramba.

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Depois dessa conquista em Cannes e de tantos outros prêmios, incluindo GPs em outros festivais importantes do mercado, quais são os próximos passos?

Raphael Dias

Na SquarePixel Filmes estamos sempre em busca do novo. Eu, por exemplo, estudo com muita profundidade os softwares, as linguagens e todo o ferramental das técnicas audiovisuais. Isso me permite estar sempre por dentro das tendências e desenvolver uma visão baseado no que é possível ser feito na equação tempo x budget. Os outros sócios, dentro de suas áreas, também estão sempre estudando e buscando inovação. Como fruto dessas nossa inquietude estamos desenvolvendo uma metodologia pra utilizar dados como métrica de resultados para nossas produções. Além disso, começamos a dar vida à alguns projetos de conteúdo e conversar com grandes players para colocar ideias na rua. Em breve devemos ter novidades.

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Quais foram os trabalhos que você mais gostou de fazer até hoje? 

Raphael Dias

Eu não saberia apontar um trabalho ou dois. Muitos foram os bons trabalhos que fiz, deixando cada cliente satisfeito e voltando para o próximo job. E cada um teve sua importância no seu momento. Dirigir filmes que tenham grande relevância para o cliente sempre são desafiadores e fazem a gente se exigir mais. Adoro isso. Também me agrada muito, por incrível que pareça, revisitar trabalhos e não gostar de algo neles. Pensar que hoje os faria diferente para que ficassem melhores. Isso, pra mim, é um sinal de que estamos evoluindo na nossa arte.