Fabio Caveira, criador da Burnout Parade e Associate Creative Director na VML Dubai

Por voxnews4 min de leitura

Criativo inquieto, publicitário de formação e músico por curiosidade, Fabio Caveira vem experimentando na prática os limites e as possibilidades da inteligência artificial como ferramenta de expressão. Associate Creative Director na VML Dubai e criador da Burnout Parade, projeto musical que mistura thrash metal, crítica à indústria criativa e experimentos com IA, Caveira usa a tecnologia tanto na publicidade quanto na música para provocar, explorar e questionar o próprio processo criativo.

Nesta entrevista ao VoxNews, ele fala sobre como a IA virou parceira de criação, o risco da pasteurização quando se entrega tudo a ela e as conexões entre o fazer publicitário e a rebeldia do metal.

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O que te motivou a experimentar a IA como ferramenta criativa na música e como isso se conecta com sua vivência na publicidade?

Fabio Caveira

Eu uso IA desde 2022, primeiro pra entender o que era e o que podia entregar, depois como ferramenta mesmo. No meu dia a dia, ela me ajuda a acelerar o processo criativo e testar variações de ideias e execuções. Música sempre foi uma paixão antiga, que ficou de lado. Com a IA, eu vi uma chance de mexer nisso de um jeito acessível, sem grandes pretensões. Não me considero músico, só estou experimentando e explorando novos limites como criativo.

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De que forma a IA influenciou ou transformou o seu processo de composição no Burnout Parade? Ela foi mais ferramenta, coautora ou provocadora?

Fabio Caveira

No começo era só ferramenta, inclusive na agência, mas hoje vejo muito mais como uma parceira criativa. A IA não cria nada sozinha, eu sempre tenho uma ideia ou algo para dizer, e uso a IA para explorar caminhos, testar versões e ver até onde dá pra ir. Também ajuda a evitar lugares comuns, ver se algo já foi feito e ajustar a rota. É ferramenta, coautora e provocadora ao mesmo tempo.

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Você acha que a IA pode potencializar a criatividade ou tem o risco de pasteurizar tudo, tanto na música quanto na propaganda?

Fabio Caveira

Eu acho que ela pode potencializar se você não deixar tudo na mão dela. Quando você entrega o processo inteiro, o resultado fica repetitivo, sem vida e esperado. Mas se você lidera o processo e usa a IA como apoio, ela te faz ir mais longe. O risco de pasteurização vem quando você deixa a IA decidir tudo.

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O projeto critica a indústria criativa enquanto usa uma das maiores inovações atuais. Esse paradoxo foi intencional?

Fabio Caveira

Eu não vejo como paradoxo. A crítica sempre existiu dentro da indústria criativa, e é isso que faz o mercado evoluir e amadurecer. Eu só usei a música como meio pra dar voz a questões que são minhas, mas também de muita gente.

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O thrash metal sempre teve esse lado rebelde e crítico. O quanto a escolha do estilo conecta com a provocação que você quer fazer?

Fabio Caveira

Eu ouço thrash desde sempre e é um estilo direto, cru, acelerado, com letras críticas e antissistema. A IA traz um lado “do it yourself” que sempre existiu no punk e no thrash, só que agora de forma mais acessível. O estilo combina com a mensagem e amplifica o tom da crítica.

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Que aprendizados da Burnout Parade você leva para sua vida de criativo na publicidade, ainda mais agora com a IA entrando em tudo?

Fabio Caveira

Para mim ficou muito claro que IA não é só mais uma ferramenta, tipo Photoshop. Ela é uma parceira criativa. Ela não funciona sem direção, precisa de input, precisa de alguém com algo a dizer. Quando usada do jeito certo, ela amplia sua voz, em qualquer formato.