No último Bola da Vez do ano, o VoxNews conversou com Brenno Castro, jovem diretor de cena da Prodigo Films.
Brenno começou sua carreira aos 22 anos na ParanoidBr, onde produziu os videoclipes “Bride Dress in a Frame”, da banda Madrid, e “The City is Waiting”, para Aldo; além do documentário “Passage”, para a TV Cultura e a série de comédia da TBS Elmiro Miranda Show. Hoje, com apenas 26 anos, já trabalhou para clientes como Fiat, Volkswagen, Sadia e Petrobras.
Voxnews – Fale um pouco sobre a sua formação e carreira.
Brenno Castro – Comecei a trabalhar como estagiário na O2 filmes. Em quatro anos consegui me tornar montador trabalhando em inúmeros filmes publicitários, séries de televisão e trailers dentro da própria O2.
Consegui juntar uma grana e em vez de comprar um carro comprei uma câmera. Aos 22 anos, comecei a fazer meus curtas o Heitor Dhalia me chamou para dirigir na recém-formada Paranoid.
Quais as suas principais características na direção de cena?
Sempre tentei retratar meus filmes pelo ponto de vista dos personagens. Isto faz com que eles sejam sendo muito sensitivos e dramáticos. Posso dizer que gosto de um olhar realista e humano sobre as histórias. Isto faz com que meus filmes tenham uma linguagem singular. Acredito que esta seja a minha identidade.
O que serve de inspiração para você na hora de dirigir? Algum diretor influencia o seu trabalho?
Com certeza o cinema é a principal fonte de inspiração. Mesmo quando faço filmes publicitários e videoclipes tento trazer uma narrativa dramática, baseada na força dos personagens. Isto é puro cinema sendo aplicado em outros meios.
Embora diretores clássicos como Kubrik e Scorcese sejam referências quase óbvias, gosto muito de uma nova geração de diretores que apareceram no mundo do videoclipe como Daniel Wolfe, Romain Gravas e Martin de Thurah.
Hoje em dia, as produtoras estão investindo bastante em conteúdo e você já dirigiu documentários e séries. Essa é uma tendência? A produtora pretende investir cada vez mais em conteúdo?
Toda produtora sempre quis fazer conteúdo e hoje está mais viável. Com o aumento do mercado de TV fechada e a difusão da internet surgiu um mundo novo. Um mercado de produção de conteúdo está se estabelecendo.
Tem muita gente ainda descobrindo a forma, não se sabe o tamanho deste mercado. Ainda estamos aprendendo, tudo é muito novo, mas acredito que a tendência é ter cada vez mais.
Vale destacar que com a queda de audiência da TV aberta, os grandes anunciantes estão cada vez mais investindo em conteúdo. Hoje o consumidor quer conteúdo, não anúncio. Tudo isto tem ajudado bastante nosso mercado.
Você já dirigiu para grandes clientes na área de publicidade. Quais trabalhos pode destacar?
O meu filme para Brastemp com um monte de espelhos no centro de São Paulo foi uma virada na minha vida. Foi um desafio gigante na época, mas o filme acabou ficando incrível e foi o pontapé na minha carreira.
Outro filme que gostei muito de fazer foi para Petrobras sobre discriminação em que todos personagens usavam máscaras iguais. O comercial acabou criando uma realidade perturbadora e uma crítica maravilhosa contra o preconceito. Cito também o filme de Nissin, no qual pude entrar na cabeça das crianças e colocar os heróis delas no mundo real. O universo lúdico foi um desafio, mas o resultado valeu a pena.
Qual a importância dos prêmios para a sua carreira?
Acredito que os prêmios são reconhecimento, mas não objetivo. Jamais faria um filme pelo prêmio. O que vale é contar boas histórias.