2026: Marcelo Reis, fundador da alegriaR: “O desafio será aproveitar a potência da IA sem comprometer reputação.”
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Em um contexto em que a Copa do Mundo aumenta a demanda por conteúdos de alto impacto e as Eleições ampliam riscos reputacionais, como agências e anunciantes devem se preparar para lidar com tensões, oportunidades e novas regras do jogo em 2026?
“Acredito que, em 2026, a oportunidade estará em usar IA para aprofundar a relevância de grandes ideias de amplo alcance, em vez de fragmentá-las em micro-anúncios que ninguém lembra. Mas a comunicação personalizada por IA também podem seguir uma trilha perigosa. Há o grupo que usa a IA de forma correta e ética, como as marcas normalmente fazem; e existe o grupo que usa para influenciar e persuadir as pessoas a tomarem decisões enviesadas, principalmente políticas. Entrar na discussão política é complexo nesse cenário polarizado, porém a regra é simples: ser ético ou não.
Já a Copa amplia enormemente a demanda por conteúdo, mas impõe regras rígidas às marcas não patrocinadoras. Nosso mercado já está acostumado a isso. Em 2013 criamos a campanha “Vem pra Rua” sem infringir nenhuma regra da Fifa ou da CBF, e a marca foi top 5 de lembrança, sem ser patrocinadora.
Para aproveitar as oportunidades sem comprometer a reputação, é essencial ter governança clara, controle jurídico, protocolos em tempo real bem definidos, monitoramento constante de conversas e criatividade cultural, que dialogue com a sociedade sem cruzar as linhas regulatórias, como fizemos com Fiat naquele ano.
O ano frenético de Copa do Mundo e Eleições, somando-se o uso impulsivo da IA, pode deixar tudo mais potente, exigindo que agências e anunciantes combinem ambição criativa com disciplina reputacional. Esses costumam ser os anos mais excitantes da publicidade, mas é preciso entender que impacto e responsabilidade devem caminhar juntos.”
