Em apenas três anos, a MariaSãoPaulo – inspirada no nome mais popular do Brasil – mostra que é uma agência com a proposta de trabalho valorizar a cultura local. E essa característica vem sendo aplicada das diversas contas que atende, entre elas, a famosa Cachaça 51. Recentemente, a agência conquistou L´Oreal e também o Museu de Arte Moderna de São Paulo.
Composta pelos sócios Juan Maresca (CEO), Carolina Godoy (Direção Financeira), Larissa Andrade (Direção de Integração e Atendimento), Luciana Elaiuy (Direção de Criação), Paulo Carvalho (Estratégia Digital) e Lais Corrado (Atendimento e produção de Ativações), a MariaSãoPaulo também promove desde o ano passado o Maria Boot Camp. O projeto tem o objetivo de desenvolver o time da agência formando duas equipes e dando a elas um brief criativo a ser trabalhado ao longo de um dia. Todos os departamentos da agência são envolvidos nesse processo. Esse ano, o evento será realizado mensalmente, e está aberta à empresas que queiram participar do projeto. Confira o bate-papo com o CEO, Juan Maresca.
A agência tem pouco mais de três anos. Podem fazer um balanço desse período?
O balanço é muito positivo em todos os aspectos. Crescemos em quantidade de pessoas, em lucro, em clientes, em serviços. Mas principalmente crescemos como seres humanos que tem um propósito em comum: criar um espaço de trabalho criativo onde o rei é o respeito, e não o ego. Essa é nossa revolução. Nossa revolução está, antes de tudo, dentro de nós e, como consequência, em nosso trabalho. Nossa revolução é criativa – com os outros e com nós mesmos – e criamos uma agência onde ela tem um solo fértil para crescer. Nossa revolução é fazer publicidade respeitando as mulheres, não as mostrando como objeto sexual. Nossa revolução é não aceitar nem fomentar nenhum tipo de preconceito contra nenhuma minoria. Nossa revolução é não nos vendermos, sermos éticos em nosso trabalho e na rua. Nossa revolução está em aceitar que para mudar o mundo temos que mudar primeiro o nosso próprio mundo, e que devemos abandonar o “jeitinho” que nos faz tão mal, e só nos envolvermos com pessoas, empresas, fornecedores e clientes que, assim como nós, exijam e respeitam regras claras.
Como é a atuação de cada sócio?
Sempre pensamos na Maria como uma terra de oportunidades. Em três anos, cinco colaboradores com funções diferentes foram convidados a serem sócios. Dessa forma, todas as áreas foram abrangidas: criação, atendimento, mídia on/off, trade e nosso financeiro. Contudo, é importante ressaltar que na Maria acreditamos que todos são iguais. Na agência, não temos portas nem divisões justamente para mostrar que somos um time, que ninguém está acima de ninguém e todos se ajudam. Os únicos privilegiados aqui são os cachorros, que podem vir trabalhar com os donos toda sexta-feira, alegrando o ambiente.
O que os motivou a atuar como agência de publicidade?
Todos aqui fugiram de agências multinacionais a fim de seguir nossa vocação, que é ouvir e entender os problemas de marketing de nossos clientes, encontrando uma solução de comunicação para resolver isso. Esse dom deve ser usado e abusado pelos nossos clientes. Nunca nos limitamos a apenas o que está nos contratos, buscamos sempre ir além das expectativas. Queremos criar uma terra de oportunidades, que reivindique a cultura e a comunicação brasileira. Enquanto os outros tentam se aproximar com o Reino Unido ou EUA, nós queremos abraçar nossa identidade, exaltando a beleza e o multiculturalismo do nosso pais.
E por que o nome Maria?
Maria é o nome mais popular no Brasil. Somos uma agência brasileira, então faz parte de nossa proposta de trabalho valorizar a cultura local, na qual estamos inseridos e endereçados. O nome Maria simboliza para nós a representatividade do povo brasileiro, da força da mulher (é um fato que nossa diretoria é composta por mais mulheres do que homens) e de um olhar de comunicação focado nas pessoas, como um dos valores da empresa. Além disso, é um nome mundialmente conhecido, assim como queremos que seja nosso trabalho. Somos simples, e acreditamos que as melhores ideias são assim.
A agência atende marcas importantes como a Cachaça 51. Podem citar os principais cases?
Oito cases que somos orgulhosos:
Como sentiram a necessidade da criação do Maria Boot Camp?
Como viemos de multinacionais, recebemos muito treinamento, e queremos passar essa experiência para os jovens. Treinar é ajudar o outro a se desenvolver profissionalmente e, na Maria, nos sentimos no dever de exercitar nossos colaboradores para que trabalhem como um time e consigam lidar bem com eventuais pressões que possam ter no dia a dia. Não existe coisa mais digna do que se sentir útil no trabalho e, para isso, temos que praticar periodicamente. É um compromisso da Maria com os que trabalham aqui.
O que o projeto já trouxe de concreto ou mudanças no dia a dia da agência já que todos os departamentos são envolvidos nesse processo?
Existem vários aspectos positivos que vão além de ensinar uma técnica em particular, por exemplo, conhecer outras áreas, trabalhar com pessoas que nunca trabalharíamos, ser parte de um time diferente do dia a dia, praticar com um problema real de marketing, com um cliente real. Pensar, criar, resolver, propor e materializar tudo em 6 horas. No final, descobrimos que não precisamos de semanas para pensar uma boa ideia. Se trabalhamos juntos, sai mais rápido e muito melhor.
Como vocês vêem a publicidade brasileira nesse momento?
O Brasil tem que acreditar mais no Brasil e deixar de querer ser como outro país. O melhor daqui são nossas pessoas, não importa quem elas são, de onde elas vêm, quanto dinheiro tem, ou sua idade. Todos tem sua beleza, e nós queremos reivindicá-la, na nossa cultura e nosso país.
Quais as expectativas para 2018?
Começamos 2018 conquistando duas novas contas: o MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo e algumas contas de L’Oreal Paris. Nossa expectativa é que a agência possa crescer e se desenvolver cada vez mais ao longo do ano. Além disso, 2018 é um ano para acreditar no Brasil, acreditar na nossa essência e em nosso potencial. Estamos bastante otimistas.