As escolhas de Eduardo Marques para o Radar Cannes deste ano mostram um festival menos interessado em “grandes discursos” e mais focado em campanhas que conseguem traduzir comportamento, contexto e utilidade em ideias imediatamente compreensíveis. De um simples gesto infantil no banco de trás até carros elétricos abastecendo uma cidade inteira, passando por uma Coca-Cola invisível nos estádios, as três campanhas selecionadas revelam como criatividade, hoje, depende cada vez mais da capacidade de transformar tensões culturais e hábitos cotidianos em narrativas universais. Confira:
1 – McDonald’s – Backseat Bosses – Scholz&Friends
Essa campanha transforma um comportamento universal em uma ideia visual imediata e memorável: a criança no carro reagindo ao ver o McDonald’s ficar para trás. Sem precisar de logo, produto ou explicação, a imagem já conta a história inteira e gera reconhecimento instantâneo. Achei bem humana e verdadeira, sem parecer publicidade forçada. A campanha mostra um momento real que muita gente já viveu, conectando a marca à memória, emoção e cultura do dia a dia.
2 – Renault – Utrecht Energized – Publicis Amsterdam
Já viram antes alguma ideia para uma marca de carro que pudesse ajudar a carregar uma cidade inteira? Pois é, aqui os carros viram “baterias sobre rodas” que ajudam a devolver energia à cidade, quando não estão sendo usados. A solução não parece um truque publicitário; parece infraestrutura inteligente, aplicada na vida real. O projeto faz o carro elétrico deixar de ser só “menos poluente” e passar a ser parte ativa do sistema energético, o que dá relevância cultural, técnica e estratégica à campanha.
3 – Coca-Cola – You Must Love Coke – Grey NY + VML Brasil
Essa é incrível porque usa uma verdade cultural muito forte do futebol: em alguns estádios, o vermelho é praticamente proibido, então a Coca‑Cola entra como uma presença “sentida” antes mesmo de ser vista. A ideia de criar outdoors sem vermelho, fazendo o cérebro completar a cor icônica da marca, é simples, inteligente e muito memorável. Curto o equilíbrio entre estratégia e craft: ela respeita o contexto local, usa um insight perceptivo forte e ainda reforça um código visual que todo mundo reconhece instantaneamente.