Segundo Amanda Lourenço, Creative Head da NOVA, as apostas para o Cannes Lions 2026 carregam um forte olhar brasileiro sobre criatividade, cultura e impacto. Para ela, muitas das ideias que vêm surgindo no país partem de uma escuta mais atenta do comportamento e da cultura, reinterpretando temas cotidianos a partir de uma perspectiva própria.
Em um cenário cada vez menos interessado em campanhas puramente interruptivas, Amanda avalia que a criatividade brasileira tem mostrado força ao buscar consequências reais na vida das pessoas, aproximando comunicação, relevância cultural e experiência.
A executiva também destaca que o Brasil segue transformando sua identidade em ideias “vivas”, capazes de ultrapassar o formato publicitário tradicional e ganhar reverberação global — característica que, na visão dela, ajuda a explicar a presença recorrente do país entre os trabalhos mais comentados do festival.
1 – Voz Ativa – ONU Mulheres
“Voz Ativa”, da Artplan para a ONU Mulheres, me pega exatamente aí. Porque é uma campanha que quase não parece campanha. Ela mexe numa estrutura invisível da linguagem e, fazendo isso, reorganiza também a forma como a violência é percebida. Trocar “mulher é morta” por construções que explicitem o agressor parece detalhe. Mas não é. É uma ideia que desloca completamente a responsabilidade dentro da narrativa.
2 – Amazônia Marca Oficial – Rotas Amazônicas Integradas (RAI) e Embratur
Transformar a Amazônia em um símbolo que as pessoas possam carregar, amplificar e defender é uma ideia poderosa, né? O projeto “Amazônia Marca Oficial”, desenvolvido pela FutureBrand São Paulo, chama a atenção exatamente por este caminho: o da construção simbólica. Verdadeira no conceito e com uma estética impecável, a marca provou, já no lançamento, sua vocação criativa para ser esse sentimento compartilhado e compartilhável. Talvez, o mais interessante desse projeto seja isso. Ele nasce com cara de um movimento que quer continuar existindo para além da publicidade.
3 – Code Her – O Boticário
Outra aposta no território que rompe a lógica dos produtos pra participar ativamente de uma mudança é o movimento “Code Her”, do Boticário com a AlmapBBDO. A ideia de usar IA para proteger mulheres de manipulações feitas por IA em suas fotos é simples e (assustadoramente) pertinente. Uma mistura de posicionamento e discurso de marca materializada em uma ferramenta culturalmente útil.