A transformação do mercado publicitário, com clientes demandando estruturas mais ágeis, integradas e próximas de seus negócios, está por trás da criação da NextJor. A nova agência nasce da união entre NEXT e JOR, operações ligadas, respectivamente, ao Grupo Dreamers e ao Grupo Approach, e começa a atuar conjuntamente em setembro com 250 profissionais e uma carteira de 40 clientes.
À frente da operação estão Paulo Castro e Marcelo Conduru, co-CEOs da NextJor, que veem na complementaridade das duas agências uma oportunidade para ampliar a oferta de serviços e ganhar escala sem renunciar à agilidade de uma estrutura independente. A expectativa é de crescimento superior a 40% no primeiro ano completo de atividade.
Em entrevista ao VoxNews, os executivos analisam as mudanças no modelo tradicional das agências, discutem o que significa integração na prática e o espaço dos grupos brasileiros diante das holdings globais. Também falam sobre o impacto da inteligência artificial no negócio publicitário, as vantagens competitivas da independência e os caminhos para sustentar a meta de expansão da NextJor.
VoxNews – A união entre NEXT e JOR acontece em um momento de transformação dos modelos de agência. O que deixou de funcionar na estrutura tradicional da publicidade e o que os clientes passaram a exigir das agências?
Paulo Castro – A transformação passa, principalmente, pela multiplicação dos pontos de contato entre marcas e consumidores. A cada ano surgem novos canais, tecnologias e desafios, e as agências precisam ser capazes de oferecer soluções para um cenário cada vez mais complexo e dinâmico.
É justamente aí que vemos a força da união entre NEXT e JOR. Ao juntarmos duas agências e dois grandes grupos, ampliamos nossa capacidade de oferecer um portfólio mais completo e integrado de soluções. Por isso, costumamos dizer que não se trata apenas de uma soma, mas de uma multiplicação.
Marcelo Conduru – Além disso, os clientes precisam cada vez mais de parceiros próximos. Essa integração também significa multiplicar nossos pontos de contato no dia a dia, ganhar mais capacidade de resposta e manter a proximidade com eles.
Há uma complementaridade importante em disciplinas e competências, mas também na possibilidade de estar mais presente, entender os desafios e acompanhar de perto as transformações dos negócios que atendemos.
VoxNews – O mercado fala há anos em integração, mas muitas vezes ela significa apenas reunir diferentes disciplinas sob o mesmo guarda-chuva. O que precisa mudar para que uma agência seja, de fato, integrada na estratégia e na entrega?
Marcelo Conduru – A verdadeira integração começa pela forma como a agência se relaciona com o negócio do cliente. Nas duas empresas, já existia uma cultura muito forte de vivenciar intensamente o dia a dia deles. Ser parceiro de uma marca não é só cuidar da comunicação, é entender o negócio, suas variáveis, seus desafios e as transformações que acontecem em cada setor.
Integração vai além de reunir diferentes disciplinas, é fazer com que todas trabalhem a partir de uma compreensão comum do negócio. É vivenciar as dores e as vitórias dos clientes para que a estratégia e a entrega estejam realmente conectadas às suas necessidades.
Paulo Castro – Isso também passa pelo método de trabalho. Na NextJor, a estratégia será always on, acompanhando continuamente a jornada dos parceiros.
A proposta é intensificar e aprimorar metodologias que já existiam nas duas agências, unindo estratégia, inovação e conhecimento sobre a jornada dos consumidores para construir uma atuação verdadeiramente integrada.
Voxnews – A NextJor nasce ligada a dois grandes grupos nacionais e independentes. Em um mercado marcado também pela consolidação das holdings globais, que espaço existe hoje para grupos brasileiros independentes crescerem e competirem por grandes contas?
Paulo Castro – Acreditamos que existe muito espaço. Estamos falando da união de duas agências ligadas a dois grandes grupos nacionais, o que nos dá uma estrutura robusta e capacidade para competir de igual para igual por grandes contas.
A publicidade brasileira tem relevância global e uma trajetória reconhecida internacionalmente. Essa união nos coloca em um patamar ainda mais forte para competir com outros grandes grupos e agências.
Marcelo Conduru – Ao mesmo tempo, pertencer a grupos nacionais nos traz uma combinação importante entre escala e liberdade. Conseguimos ter estrutura para competir com grandes multinacionais, mas com muito mais autonomia e velocidade na tomada de decisão.
Isso faz diferença para os clientes. As decisões estão próximas, temos capacidade de adaptação e podemos pivotar rapidamente quando necessário. Os grupos nos dão suporte e nos empoderam, sem criar estruturas que dificultem a agilidade.
Acredito que essa proximidade, liberdade e maleabilidade têm um peso cada vez maior para as marcas que atendemos.
VoxNews – Tecnologia e inteligência artificial estão alterando processos, estruturas e até a composição das equipes. Onde vocês acreditam que a IA terá maior impacto no negócio das agências – eficiência, criatividade, mídia, dados ou modelo de remuneração?
Marcelo Conduru – Eu marcaria todas as alternativas. A inteligência artificial já está impactando fortemente a eficiência e se tornou uma ferramenta essencial para a criatividade. Ela também amplia nossa capacidade de analisar dados, torna o planejamento de mídia mais assertivo e ajuda a ganhar tempo em diferentes processos.
A IA já chegou transformando o nosso setor, e enxergamos mais uma complementariedade importante entre as duas empresas. A JOR tem uma maturidade muito grande no uso da inteligência artificial associada à jornada do consumidor e ao olhar para dados. A NEXT, por sua vez, traz uma experiência mais consolidada na aplicação da IA à criação e ao storytelling.
Essa complementariedade é mais uma oportunidade para avançarmos. E, mesmo com as maturidades que já construímos, a união entre as empresas também tem o objetivo de acelerar ainda mais nossa evolução nesse campo.
VoxNews – A expectativa é crescer mais de 40% no primeiro ano completo da NextJor. De onde deve vir esse crescimento: conquista de novos clientes, ampliação do escopo das contas atuais, integração de serviços dos dois grupos ou entrada em novas áreas de negócio?
Paulo Castro – Também diríamos, todas as alternativas acima. O crescimento deve vir de diferentes frentes. Temos um volume importante de prospecções nas duas agências e acreditamos que a integração entre nossos times e ecossistemas vai ampliar ainda mais nossa capacidade de conquistar novos negócios.
Ao mesmo tempo, a complementariedade entre NEXT e JOR, somada à força dos dois grupos, nos permite ampliar o portfólio de serviços e, consequentemente, identificar novas oportunidades dentro das contas atuais.
Portanto, esperamos crescer por meio da conquista de novos clientes, da ampliação da atuação junto aos parceiros que já temos e da oferta de novos serviços e áreas de negócio.
Marcelo Conduru – Há ainda um ponto importante, nossa presença nacional com olhar regional. Essa estrutura amplia muito nossa capacidade de prospecção e de atuação em diferentes mercados do país.
Temos uma presença nacional forte, mas com a capacidade de entender as particularidades de cada região. E, naturalmente, teremos um olhar muito especial para São Paulo, que é um mercado estratégico para o nosso crescimento.