Karen Bartels, sócia e managing director da a.gente: “Influência é parte de um ecossistema, não um pilar solto”

Após um primeiro ano de crescimento acelerado, a a.gente entra em uma nova fase ampliando sua atuação para além da gestão de creators e consolidando um modelo mais integrado entre influência, conteúdo, mídia e estratégia. Em entrevista ao VoxNews, Karen Bartels fala sobre a evolução da creator economy, a pressão crescente por resultado e por que o mercado precisa abandonar a visão fragmentada entre social, influência e performance para construir ecossistemas de comunicação mais conectados aos objetivos de negócio das marcas.

 

VoxNews – Após o primeiro ano da a.gente, quais foram os principais aprendizados sobre o que as marcas realmente esperam hoje de uma operação de influência?

Karen Bartels – A meu ver, o que as marcas esperam é uma relação de parceria e transparência. A entrega estratégica, leitura de dados, curadoria com análise é algo commodity não é algo além do esperado. Vejo uma carência enorme no mercado de parceiros que realmente queiram e façam parte do time do cliente, viabilizando necessidades fora do padrão, buscando os KPIs combinados e principalmente, entendendo do negócio, para que desta forma seja possível antever questões e de forma proativa, entregar soluções que colaborem com o todo.

Outro ponto é: olhar influência de forma isolada do todo impossibilita que o trabalho seja feito de uma forma consistente. Tudo tem que fazer parte de uma estratégia única, onde social + influência + mídia façam parte de uma entrega de comunicação.

VoxNews – A a.gente nasceu com foco em creators, mas rapidamente ampliou sua atuação para conteúdo, mídia e estratégia. O marketing de influência deixou de ser uma disciplina isolada dentro da comunicação?

Karen Bartels – Influência é um pilar, importante, de construção para uma estratégia robusta de comunicação. Tudo precisa ser pensado de forma conectada, onde mídia, social e influência tenham seu próprio KPI e que de forma conjunta fluam para o objetivo geral de marca.

VoxNews – O mercado vive um momento de maior cobrança por resultado e eficiência. Como isso tem mudado a relação entre marcas, creators e agências?

Karen Bartels – Cada vez mais somos cobrados por dados prévios dos influenciadores além dos pós campanha. Porém, o mais importante não é termos o dado, mas, o que aprendemos com ele e o que podemos aprender e corrigir/melhorar para o trabalho atual ou futuro. Um pouco semelhante a primeira pergunta, o dado é commodity, mas a leitura e implementação dele de forma visível é o que traz inteligência ao ecossistema.

VoxNews – Muitas empresas passaram a buscar soluções mais integradas para social e influência. Quais tendências você acredita que devem ganhar força nesse modelo nos próximos anos?

Karen Bartels – Tudo faz parte de uma estratégia única de negócio, por isso, não é possível pensarmos de forma isolada. Os resultados necessários não separam, tal percentual vem de influência, tal percentual vem do post no Instagram, desta forma, como podemos fazer um trabalho realmente estratégico (fora um keynote bonito) se não tivermos todas as disciplinas unidas e remando para o mesmo objetivo? Claro que existem medições específicas, canais, dados, mas, o influenciador em alguns casos pode ser a peça-chave para um formato de performance, ou, devemos seguir meios tradicionais para alcançar o necessário, por isso, insisto tanto que é um ecossistema de comunicação e não pilares soltos que não conversam.

VoxNews – Depois de um período de crescimento acelerado da creator economy, quais movimentos você enxerga hoje como mais relevantes — profissionalização, dados, conteúdo proprietário ou influência de nicho?

Karen Bartels – Entender profundamente o que a marca espera da estratégia de influência, analisar qual é o melhor mix de meios que devemos atuar e estruturar um pensamento onde dados seja a base de qualquer escolha. A profissionalização e o entendimento da responsabilidade que temos nas mãos com o trabalho que entregamos é, a meu ver, o que irá separar os profissionais que realmente vão ficar e crescer junto com a creator economy dos que fizeram parte deste bum da visão míope que tudo se resolve com alguns nomes que estão bombando.

 

VoxNews – Olhando para o mercado brasileiro, quais são os principais desafios e oportunidades para operações de influência que querem ir além da gestão de talentos e atuar de forma mais estratégica para os clientes?

Karen Bartels – Insisto muito que os profissionais que atuam na área precisam ir além do pensamento segmentado apenas sobre “qual nome coloco para entregar esse conteúdo” e ter vontade de se aprofundar nos negócios do cliente. A solução, as vezes, não é um conteúdo dentro do Instagram ou Tiktok, mas, um OOH regionalizado nas praças que temos desafios com influenciadores que fazem diferença para aquela comunidade. Isso só é possível ser feito se você consegue olhar para os desafios e pensar em soluções que ultrapassem o canal primário. Os creators estão cada vez mais independentes e trabalhando em suas carreiras de forma individual e de forma brilhante, então, se quem não está ao lado do creator não olhar para o todo, oportunidades no calendário deste criador, vai ser sempre uma entrega esperada, onde temos cada vez mais espaço em entender os espaços que essas pessoas têm de se conectar diretamente com quem está prestes a tomar uma decisão de compra.

 

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