A inteligência artificial começa a ocupar um espaço que até pouco tempo pertencia principalmente aos mecanismos de busca, redes sociais e sites de marcas na jornada de consumo. Segundo o Prompt-me, estudo da Fbiz em parceria com a plataforma de pesquisas On The Go, 46% dos brasileiros que utilizam IA já recorreram à tecnologia para buscar informações sobre produtos ou serviços antes de uma compra.
O levantamento mostra também que 26% dos usuários têm a IA como primeira opção quando procuram ajuda para tomar uma decisão, enquanto 32% recorrem primeiro à tecnologia para comparar alternativas. Para 53%, as ferramentas já são o primeiro caminho quando querem uma resposta rápida e objetiva.
Os números apontam para uma mudança relevante para o marketing: além de disputar visibilidade nos mecanismos tradicionais de busca e nas redes sociais, as marcas passam a lidar com uma nova camada de descoberta, consideração e decisão — as respostas produzidas pelas plataformas de inteligência artificial.
O estudo ouviu 1.200 brasileiros, de todas as regiões do país, com 16 anos ou mais e das classes ABCDE, que conhecem e já utilizaram pelo menos uma ferramenta de IA. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
IA entra na rotina
Entre os entrevistados que já adotaram a tecnologia, 42% afirmam utilizá-la várias vezes ao dia e outros 44%, algumas vezes por semana. O uso ainda é predominantemente gratuito: 77% ficam exclusivamente nas versões sem cobrança, 20% combinam opções gratuitas e pagas e apenas 3% usam somente ferramentas pagas.
Produzir fotos, vídeos e textos aparece entre as principais aplicações, citada por 42% dos participantes. Em seguida estão assistentes para aprimorar textos (37%), apoio a trabalhos escolares, universitários ou cursos (32%) e análise de dados e automação de tarefas profissionais (32%).
A relação não está concentrada em uma única plataforma. Em média, os entrevistados conhecem 5,2 ferramentas de inteligência artificial e utilizam 3,4. Para as marcas, essa fragmentação acrescenta outra variável à estratégia digital: uma mesma empresa ou produto pode aparecer de maneiras diferentes dependendo da ferramenta consultada.
“Hoje, temos muita informação sobre IA e seus impactos no trabalho, na produtividade e nos negócios, mas pouco se fala sobre comportamento. Como a Fbiz é uma agência especializada em Search e comportamento online dos consumidores, olhamos para a IA justamente por esse ângulo: entender como ela está transformando os hábitos, as escolhas e as decisões dos brasileiros”, afirma Fernanda Tedde, CEO da Fbiz.
O Prompt-me também procurou identificar como a tecnologia está sendo incorporada a comportamentos já existentes. Para Vitor Amos, VP de Estratégia da Fbiz, a IA funciona menos como criadora de novos hábitos e mais como potencializadora de práticas que já faziam parte do cotidiano.
“A IA não inventou novos hábitos, mas agiu como um amplificador do ‘jeitinho’ brasileiro. Da ‘gamb-IA-rra’ para instalar e consertar aparelhos até a ‘sevirologia’ para montar logo e propagandas para micro negócios, a IA está potencializando comportamentos marcantes dos brasileiros”, afirma.
A pesquisa mostra ainda que o aprendizado sobre inteligência artificial extrapola as próprias plataformas. Entre os entrevistados que buscam aprender sobre o tema, 54% recorrem a vídeos no YouTube, indicando também a participação de conteúdos e creators no processo de adoção da tecnologia.
Para o mercado de comunicação, os dados colocam uma nova questão no radar: à medida que a IA passa de ferramenta de produtividade a intermediária de escolhas, entender como marcas, produtos e serviços são encontrados, descritos e comparados nesses ambientes tende a se tornar parte da estratégia de presença digital. Confira a pesquisa no link – https://promptme.fbiz.com.br/