Cannes 2026: antes do primeiro Leão, Brasil dá sinais
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O Cannes Lions 2026 nem começou oficialmente, mas os primeiros movimentos da competição já oferecem pistas sobre o posicionamento brasileiro na disputa criativa deste ano. Com a divulgação das primeiras shortlists, o Brasil aparece em Glass: The Lion for Change, mas ficou de fora de duas das categorias mais disputadas e simbólicas do festival: Innovation e Titanium.
Até o momento, o país emplacou dois trabalhos na shortlist de Glass. São eles: “Nigrum Corpus”, da Artplan para o Instituto Yduqs e IDOMED, e “Code for the Protection and Inclusion of Black Consumers”, da Beta Collective para L’Oréal Luxe.
Mais do que o volume, o recorte chama atenção pelo perfil dos trabalhos. Glass é uma categoria dedicada a ideias que promovem mudanças culturais e sociais, enfrentando desigualdades, preconceitos e questões de representatividade. Os primeiros sinais brasileiros, portanto, surgem em projetos ligados a impacto social e transformação cultural.
Na direção oposta, o Brasil não conseguiu colocar finalistas nas listas de Innovation e Titanium. Em Titanium, categoria que tradicionalmente reúne as ideias consideradas mais disruptivas e transformadoras do festival, foram selecionados 18 trabalhos, sem presença brasileira. O mesmo cenário se repetiu em Innovation.
Ainda é cedo para qualquer diagnóstico sobre o desempenho do país na edição de 2026. As categorias que historicamente concentram boa parte da força criativa brasileira como – Outdoor, Film, Media, PR, Direct, Brand Experience & Activation, Design e Creative Strategy – ainda não tiveram seus resultados divulgados.
Mesmo assim, os primeiros shortlists sugerem um ponto de observação interessante para os próximos dias. Até aqui, a presença brasileira está mais associada a narrativas de impacto cultural e inclusão do que às categorias voltadas à inovação tecnológica ou às ideias de ruptura que costumam disputar Titanium.
O festival começa oficialmente neste domingo, 22, e segue até 26 de junho, em Cannes, na França. A partir da divulgação das próximas shortlists e da entrega dos primeiros Leões, será possível entender com mais clareza quais territórios criativos estarão impulsionando o desempenho brasileiro nesta edição.
Por enquanto, antes mesmo da primeira cerimônia, a principal leitura é que o Brasil começa sua trajetória em Cannes 2026 por Glass. E isso já diz alguma coisa sobre as ideias que estão conseguindo ganhar espaço no maior palco da criatividade mundial.
