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Radar Cannes: Mariana Borga, diretora de cena da Pródigo

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As escolhas de Mariana Borga para o Radar Cannes do VoxNews revelam um olhar atento para ideias que ultrapassam a lógica tradicional da publicidade. Para a diretora, os trabalhos que mais merecem destaque neste ano são aqueles capazes de transformar problemas reais em narrativa, gerar mudanças concretas e, ao mesmo tempo, preservar o poder emocional das grandes histórias. Das discussões sobre privacidade de dados ao ativismo ambiental e à força do storytelling no audiovisual, Mariana aponta campanhas que unem relevância cultural, craft e impacto de forma consistente na corrida por Cannes Lions.

 

1 – Scratch your data – Mercado Livre (GUT)

Amo ideias que olham para o problema (no caso, um problemaço do Mercado Livre) e não buscam soluções fora dele, dando voltas até encontrar uma resposta. A resposta está ali mesmo, transformando uma desvantagem do serviço numa vantagem competitiva – que não sei como ainda os outros players não copiaram. Torço para que ela ganhe Cannes, mas também o coração de quem trabalha com dados, para que nós, os consumidores, possamos ficar mais tranquilos independentemente de onde comprarmos.

 

2 – No Blue, no Green – Handcrafted Screen Prints for Marine Conservation (Droga5)

 

A gente sabe o poder que a publicidade tem para gerar mudanças e fico emocionada quando vejo isso acontecendo de maneira efetiva, não só com o objetivo de ganhar prêmio. Essa é uma ideia que conseguiu captar uma questão atual, mas pouco conhecida, e traduzi-la de uma maneira visual extremamente didática e impactante para nós brasileiros – gerando, com isso, conversa. Mas não se contentaram: para a mudança ser efetiva, foram além do awareness e seguiram junto com a ONG até criarem um Parque Marinho Nacional com o aval do presidente da República. Resumindo, é daquelas ideias que, mesmo se não ganharem Cannes, já garantiram um prêmio maior na história.

 

3 – Empty Nest – O Boticário (Almap)

 

Apostar em filmes é algo que o nosso mercado deveria fazer mais, porque acredito que essa é a peça que mais tem poder de mexer com os sentimentos do consumidor. Apesar disso, as verbas publicitárias têm sofrido uma diluição tremenda (inclusive para a IA) e ver um filme como esse, que capta uma verdade da maternidade e entrega uma narrativa sensível, um acting fino e uma produção de alto nível, faz mais por uma marca do que qualquer Cannes poderia fazer. Ainda assim, espero que o prêmio seja sensato e reconheça o poder dessa história tão universal e emocionante, que viralizou apesar de não ter 15 segundos, não ser vertical e estar altamente baseada em diálogos.

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