Dia da Mulher: Keely Medeiros, head de Conteúdo da Wigoo – “A liderança feminina é reconhecida no marketing, mas ainda não ocupa proporcionalmente as estruturas de poder.”

O mercado de publicidade e comunicação já confia em mulheres para liderar crescimento e transformação das empresas ou ainda as enxerga como símbolo de diversidade, não como potência de negócio?

 

 

O mercado de publicidade e comunicação vive um momento de amadurecimento quando o assunto é liderança feminina. Houve avanços concretos, mas ainda existe uma diferença entre reconhecer mulheres como parte importante da agenda de diversidade e enxergá-las, de forma consistente, como protagonistas de crescimento e transformação de negócios.

 

Alguns indicadores mostram que a mudança já começou. Levantamentos recentes do InfoMoney apontaram que, entre os CMOs destacados em rankings nacionais, as mulheres já representam a maioria. Isso demonstra que o mercado reconhece competência técnica, visão estratégica e capacidade de geração de resultado. Ao mesmo tempo, dados divulgados por publicações como a Você RH mostram que a presença feminina nos cargos mais altos das empresas brasileiras ainda é limitada, especialmente em posições de presidência e conselhos de administração. Ou seja, a liderança feminina é celebrada, mas ainda não é proporcional quando falamos das estruturas de poder mais estratégicas.

 

No setor de comunicação, essa transição é ainda mais evidente. A publicidade sempre foi um ambiente com forte presença feminina nas equipes, mas nem sempre isso se refletiu nas cadeiras de decisão ligadas a crescimento, inovação e resultado financeiro. Existe uma mudança em curso, mas ela ainda depende de uma transformação cultural mais profunda: confiar na mulher como gestora de receita, de expansão, de estratégia e não apenas como guardiã de cultura ou diversidade.

 

Falo a partir da minha própria trajetória. Na Wigoo, eu vivi uma experiência que reforçou minha convicção de que confiança é construída na prática. Durante a minha recente gestação, continuei liderando projetos estratégicos, participando de decisões de negócio e conduzindo times. Recebi suporte real, flexibilidade quando necessário e, principalmente, continuidade de protagonismo. Não houve uma pausa na confiança, nem um redirecionamento para um papel secundário. Houve adaptação e parceria.

 

Esse tipo de postura organizacional faz diferença. Quando uma empresa entende que maternidade não reduz potência executiva, mas amplia repertório, maturidade e visão de longo prazo, ela fortalece sua própria estrutura. Liderar enquanto vivia um momento pessoal tão transformador foi uma prova concreta de que desempenho e sensibilidade não são opostos. Pelo contrário, são competências complementares.

 

O mercado já começou a confiar em mulheres para liderar crescimento. Isso é fato. Mas ainda precisamos consolidar essa confiança como padrão, não como exceção ou narrativa inspiracional. O verdadeiro avanço acontecerá quando a presença feminina na liderança não precisar ser justificada por diversidade, e sim reconhecida naturalmente como força estratégica, capacidade de execução e impacto direto no resultado das empresas.

 

A publicidade e a comunicação são indústrias movidas por leitura de comportamento, inovação e adaptação constante. Ignorar ou subestimar o potencial feminino em posições de decisão é, além de injusto, um erro de negócio. O futuro do setor passa, inevitavelmente, por uma liderança mais plural, mais preparada e mais alinhada com a complexidade do mercado. E isso inclui, de forma definitiva, mulheres conduzindo crescimento e transformação.

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