O mercado de publicidade e comunicação já confia em mulheres para liderar crescimento e transformação das empresas ou ainda as enxerga como símbolo de diversidade, não como potência de negócio?
Nos últimos anos, o mercado tem ampliado a presença de mulheres em posições de liderança. Parte desse avanço vem de uma agenda mais consistente de diversidade e inclusão, que pressionou empresas a rever estruturas historicamente desiguais. Essa movimentação abriu portas que, por muito tempo, estiveram fechadas, e isso foi fundamental. Mas abrir a porta é apenas o começo.
A agenda da diversidade tem um papel importante ao ampliar o acesso das mulheres a posições estratégicas. Ela cria oportunidades que, durante muito tempo, não existiam, mas a permanência nesses espaços não se dá apenas pela pauta. O que consolida uma mulher em cargos executivos e gerenciais é sua competência, sua capacidade de gestão e a entrega consistente de resultados.
As mulheres que chegaram a essas posições aproveitaram as oportunidades abertas e, a partir delas, provaram, na prática, sua habilidade de liderar negócios, conduzir equipes e tomar decisões estratégicas com impacto real. É essa combinação, oportunidade e desempenho, que sustenta as trajetórias e fortalece a presença feminina na alta liderança.
Ao mesmo tempo, os números mostram que ainda há um caminho importante a percorrer. A pesquisa Panorama Mulheres 2025, conduzida pelo Insper em parceria com o Instituto Talenses Group, revela que apenas 17,4% das empresas brasileiras têm mulheres na presidência, um percentual que praticamente não evoluiu nos últimos anos. Os números revelam um progresso, mas também deixam evidente que
a paridade ainda não chegou onde deveria. Isso significa que, embora a diversidade tenha aberto oportunidades, muitas mulheres ainda precisam lutar por reconhecimento nos níveis mais altos da hierarquia corporativa.
Outro aspecto que merece destaque é a mudança na forma como certas características femininas passaram a ser percebidas. Sensibilidade, intuição, escuta ativa e inteligência emocional, que durante muito tempo foram tratadas como fragilidades, hoje são vistas como diferenciais competitivos. Em um ambiente cada vez mais automatizado e orientado por dados, a capacidade de compreender
pessoas, gerir conflitos e construir relações sólidas tornou-se estratégica para o crescimento sustentável das empresas.
Há também um efeito transformador quando as mulheres ocupam espaços de poder com legitimidade. A visibilidade baseada em competência inspira outras mulheres a acreditarem que também podem chegar lá. Representatividade, quando acompanhada de resultado, gera a confiança coletiva.
Isso não significa que o desafio tenha sido superado, ainda existem vieses estruturais e culturais, resistências silenciosas e avaliações desiguais. Ainda há quem questione a liderança feminina com critérios diferentes, mas a cada resultado entregue, a cada negócio transformado, essas barreiras perdem a força.
Por isso, mais do que um símbolo de diversidade, nós, mulheres, temos nos consolidado como potência de negócio. A diversidade pode ter sido o ponto de partida, mas a competência é o que sustenta essa presença. E o impacto positivo nos resultados é o que transforma essa discussão em estratégia, não em discurso.