2026 – Mauro Palacios, CEO da Twist: “Fugir do óbvio deixa de ser recomendação e vira obrigação.”

Em um contexto em que a Copa do Mundo aumenta a demanda por conteúdos de alto impacto e as Eleições ampliam riscos reputacionais, como agências, e anunciantes devem se preparar para lidar com tensões, oportunidades e novas regras do jogo em 2026?

Ano de Copa do Mundo com eleições é como jogar no modo hard quando falamos em mídia paga. A disputa por inventário explode, especialmente no digital, e isso encarece muito CPM, CPC e tudo o que depende de leilão. O volume de mensagens que o consumidor recebe cresce tanto que, além do aumento do preço da mídia, fica mais difícil ganhar atenção de verdade. Por isso, a primeira recomendação é bem objetiva: planejar um orçamento especial para 2026. Se a marca repetir a mesma verba de anos “normais”, a tendência é investir igual e colher menos resultado.

Além disso, esse é o ano em que fugir do óbvio deixa de ser recomendação e vira quase obrigação. Com uma porcentagem enorme de anúncios de todos os setores falando sobre futebol, a chance das peças da sua campanha serem do tipo “mais um criativo verde e amarelo com um torcedor vibrando” é altíssima. Vale usar o tema da Copa para “surfar” o momento, ou melhor, “jogar o jogo”, mas sempre com uma provocação clara para o time de criação: como entrar na conversa sem parecer mais do mesmo? O tema futebol é muito rico e a maior paixão dos brasileiros. Deveria ser obrigação de todo publicitário nascido no Brasil conseguir explorar criativamente a pauta sem cair no clichê.

Já nos temas políticos, meu olhar é bem pragmático: a melhor estratégia é se desviar. É verdade que algumas marcas e seus porta-vozes ganharam visibilidade ao escolher um lado, mas o risco reputacional de gerar aversão extrema do outro espectro político, em um país tão polarizado, não compensa. No fim do dia, branding e política deveriam ser como água e óleo: não se misturam. Em ano de Copa e eleição, quem conseguir combinar investimento planejado, criatividade fora do óbvio e neutralidade inteligente em relação à política tende a atravessar 2026 com sucesso.

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