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BOLA DA VEZ

Rodrigo Maroni, presidente do Grupo de Planejamento de São Paulo

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Tendo à frente desde abril último o publicitário Rodrigo Maroni, o Grupo de Planejamento de São Paulo, coloca em prática neste segundo semestre projetos estruturados em torno de dois eixos centrais: ações de inclusão e capacitação de profissionais atuantes na disciplina.

Entendendo que o mercado já vem realizando avanços isolados no tema, o GP buscará atuar como um ente conector e acelerador das melhores práticas em gestão da diversidade e inclusão no setor. Para isso, criou o projeto “Melhor no Plural” (#melhornoplural) que fará um mapeamento das iniciativas que já estão acontecendo para “ajudar a compartilhar e dar escala a essas soluções que já estão em funcionamento”, diz Maroni. Também vai analisar a composição sociodemográfica das equipes de planejamento das agências de publicidade do mercado paulista e incentivar a pluralidade em suas estruturas internas.

Encabeçado por Flávia Spinelli, vice-presidente do GP e Global Client Partner do Facebook, o grupo de inclusão conta com outros seis profissionais: Gisele Bambace, diretora de Planejamento da J.Walter Thompson, Verônica Dudiman, planejadora da Mutato, Tiago Tuiuiú, planejador, Rafael Camilo, diretor geral de Planejamento, ambos da Africa, Diego de Oliveira, estrategista criativo e Gustavo Borrmann, creative agency partner, os dois do Facebook.

Além disso, os 12 fundadores do GP bancarão 12 novos associados, que serão selecionados pelo comitê de diversidade, com base na análise de um questionário sociodemográfico, bem como numa declaração do candidato sobre como ele espera que a oportunidade impacte sua carreira. A mesma metodologia é aplicada na designação de bolsas para os cursos do GP. O projeto quer ampliar o alcance de seus treinamentos, estruturados na forma de cursos livres e da Planning Academy, parceira da entidade.

 

VoxNews – Seu mandato atua em dois eixos: inclusão e capacitação de profissionais. Em quais os principais pontos o mercado de Comunicação ainda tem que avançar nesse sentido?

Rodrigo Maroni – O mercado de comunicação tem muito a ganhar ao enxergar esses dois eixos como complementares, e buscar soluções para seus desafios que passem simultaneamente pela capacitação e pela inclusão – e não como duas frentes isoladas, que correm em paralelo. Ao mesmo tempo em que o mercado busca novas respostas para os problemas de comunicação das marcas, existe um contingente enorme de poder criativo que tem pouquíssimos lugares na mesa de discussão.

Trata-se de uma questão de lógica: se precisamos de  diversidade de soluções, precisamos de diversidade de perspectivas. E para isso, é preciso abrir as portas e também os ouvidos: a inclusão é fundamental, mas não deve jamais ser dada como concluída quando as pessoas recebem uma oportunidade. O erro que se pode cometer, nessas situações, é a inclusão levar à assimilação, e aí, tudo aquilo que o profissional traria de diferente ser diluído. Isso é burrice, é um enorme disperdício. As empresas precisam saber ouvir e valorizar as perspectivas diversas que a inclusão proporciona.

 

VoxNews – “Melhor no Plural”. Ainda existem resistências sobre esse tema em um mercado que a cada dia tem que conversar com consumidores de diferentes ideias e comportamentos?

Rodrigo Maroni – Infelizmente, sim. É triste observar no noticiário global que ainda há evidências concretas dessa resistência. Mas, ao mesmo tempo, há cada dia mais evidências de progresso – vide a recente notícia sobre a FCB abrindo mão da conta da Nivea em razão de comentários homofóbicos – e temos todos os motivos para atuarmos com o mais completo otimismo.

De fato, o ponto de partida para o projeto “Melhor no Plural” foi reconhecer que o mercado já está consciente da necessidade de inclusão. O primeiro passo do estudo é um mapeamento das iniciativas que já estão acontecendo, justamente porque observamos que várias agências desenvolveram seus próprios programas para solucionar essa questão.

Como uma entidade profissional, entendemos que um dos papéis que nos caberia seria justamente o de ajudar a compartilhar e dar escala a essas soluções que já estão em funcionamento.

 

VoxNews – No que os principais líderes do mercado podem ajudar em relação à esse tema?

Rodrigo Maroni – Nesse momento, a ajuda que pedimos é muito simples: que participem da primeira etapa do Melhor No Plural respondendo ao levantamento que estamos conduzindo nesse link.

Em seguida, gostaríamos de continuar esse diálogo em rodas de conversa e nas etapas seguintes do projeto, que serão divulgadas em breve.

 

VoxNews – Esse mapeamento da atual composição sociodemográfica das equipes de planejamento tem data para ser divulgado? Já existem agências parceiras para esse projeto ou é uma iniciativa solitária do GP?

Rodrigo Maroni – Nosso Grupo de Inclusão tem trabalhado desde março no desenvolvimento do projeto, e nossa expectativa é que já em neste mês de agosto sejam trazidos ao mercado os primeiros aprendizados. Esta iniciativa teve um acolhimento notável, mas a abordagem do GP é a de atuar como uma associação de profissionais, não de empresas.

O espírito de generosidade dos associados é o que marca a atuação do GP desde sua fundação. E somos abertos a associação de qualquer profissional. Basta entrar em www.grupodeplanejamento.com.br/associe-se e por apenas R$ 200 anuais ter acesso a uma enorme programação de eventos e atividades.

 

VoxNews – Como o GP analisa o mercado atualmente? O que a entidade quer passar para as novas gerações?

Rodrigo Maroni – Uma perspectiva importante, que temos buscado levar em conta, é preparar os profissionais – sejam os que estiverem chegando através de iniciativas de inclusão, sejam os que já fazem parte do mercado – para as habilidades que o mercado exigirá deles no futuro, e não apenas as que foram tradicionalmente valorizadas. Caso contrário, esses esforços de inclusão e capacitação terão vida curta. Nossa iniciativa em parceria com o Google, de formação em dados, é um grande exemplo disso. Faremos uma Data Masterclass para 100 alunos. É um programa de capacitação inédito, criado a quatro mãos pelo GP e pelo Google, abordando todas as etapas de construção de uma estratégia de dados. E outras iniciativas estão a caminho.

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