Pesquisa traça perfil dos donos de pequenos negócios no Brasil

11/03/2014

Um segmento da economia que representa mais de 50% do PIB de alguns países da América Latina, responde por mais de 40% dos empregos e atrai o ímpeto empreendedor de quase 50% dos jovens (entre 18 e 24 anos) não pode ser ignorado pelas empresas de bens de consumo em busca de sucesso popular. Especialmente em países como o Brasil, onde, segundo o Sebrae, os pequenos empreendimentos representam 99% dos negócios no país, respondem por 25% do PIB, 40% da massa salarial e por 70% das novas vagas de empregos geradas.

Partindo dessa premissa e da constatação de que há poucos dados disponíveis sobre essa expressiva parcela da economia latino-americana, a McCann foi a campo para investigar o que pensam e desejam os donos de pequenos negócios. E constatou que a maioria deles sente que as grandes marcas de consumo tendem a ignorar seu potencial como parceiro de vendas.

Conduzida em 22 cidades de 20 países na América Latina, a pesquisa ouviu um total de 3.500 donos de pequenos negócios nas áreas de alimentação e beleza, 1.334 deles só no Brasil.

Intitulada “Truth About Street – Na Trincheira” (pois o ponto de venda é visto como a última fronteira da guerra das marcas pela preferência do consumidor), a pesquisa foi realizada pelos 600 colaboradores da WMcCann, que em setembro de 2013 foram às ruas de 51 bairros de São Paulo e do Rio de Janeiro para realizar a pesquisa de campo, entrevistando donos de bares, restaurantes, cabeleireiros e mercearias. Segundo dados oficiais disponíveis, o Brasil conta com 151 mil salões de beleza, 60 mil bares e 54 mil mercearias/mercadinhos.

Na América Latina, foram realizadas mais de 3,5 mil entrevistas na Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, Chile, Bolívia, Venezuela, Colômbia, Peru, Equador, Guatemala, Nicarágua, Costa Rica, Porto Rico, Panamá, Trinidad & Tobago, Honduras, El Salvador, República Dominicana, Honduras e México.

Segundo a pesquisa, apenas 11% dos donos de pequenos negócios afirmaram sentir que formam um time com as marcas e suas forças de venda, e Coca-Cola e L´Oréal são as marcas mencionadas como as que oferecem melhor relação custo-benefício. Para 51% dos respondentes, se eles não estiverem presentes no dia a dia, seu negócio não prospera. Fica evidente que o sucesso do empreendimento equivale ao sucesso pessoal do empreendedor; e, para alcançá-lo, controle (26%) e disciplina (21%) são indispensáveis.

O reconhecimento social também é uma importante mola propulsora do empreendedorismo. Para 35% dos empreendedores, a sociedade reconhece a importância de seu papel e de seu trabalho duro (30%); enquanto 16% consideram que o seu negócio é um orgulho para sua família e permite que sejam mais respeitados pelas pessoas. Uma minoria acredita que, por ser um pequeno empreendedor, é vista como alguém que não estudou e por isso não tinha outra alternativa de trabalho (7%), ou como alguém inferior (6%).

Um dos aspectos mais valorizados da condição de empreendedor é a independência: 33% destacam o valor de tomar suas próprias decisões e 18%, o de gerenciar seu tempo. Acima de tudo, a maioria abre seu próprio negócio buscando assegurar o bem-estar e o progresso da família (42%) e a estabilidade econômica (13%). A realização pessoal também é outro aspecto marcante, responsável por 29% da motivação dos empreendedores em abrir seu próprio negócio.

O custo pessoal, no entanto, pode ser alto: para 84% dos respondentes, falta qualidade de vida em suas rotinas, dada a quantidade de tempo e a energia dedicada à condução do negócio. A grande maioria dos empreendedores se fez sozinha, por meio de uma vivência empírica na qual a inovação é vista como diferencial mercadológico (38%) e um importante propulsor de negócios (21%).

Entre os aspectos reconhecidos como fundamentais para o sucesso estão uma clientela fiel (36%) e a proximidade com os clientes (24%). Lideram a lista de “sonhos de consumo” do empreendedor: ter uma equipe mais qualificada (41% no caso de cabeleireiros e restaurantes, 26% em mercearias e 25% em bares); seguido de mais espaço físico para o negócio (31% para bares e 27% para os demais negócios); e ser capaz de fechar seu negócio uma semana ao ano sem perder dinheiro (13% para donos de mercearias, 12% para bares e 11% restaurantes e cabeleireiros). Em termos de planejamento, no curto prazo, a preocupação é assegurar a base de clientes atuais, enquanto que, nos médio e longo prazos, as aspirações se voltam para a ampliação da base de clientes.

A importância das marcas para os negócios varia de acordo com o segmento de atuação do empreendedor, mas, em média, 24% apontam a necessidade da presença de certas marcas para demonstrar a qualidade de seu negócio. Os que apontaram maior dependência são os donos de salões de beleza (28%), seguidos por restaurantes (25%), mercearias (24%) e bares (20%).

“L’Oréal e Coca-Cola são as marcas que lideram toda a pesquisa, consideradas as mais rentáveis e com quem os empreendedores têm a melhor relação. De maneira geral, a pesquisa mostrou um alto percentual na categoria “outros”, o que pode indicar a presença de marcas locais não relacionadas nas opções pesquisadas, ou marcas pequenas, eventualmente não consideradas concorrentes das grandes marcas, mas que devem estar fazendo um bom trabalho de relacionamento e negócios com esses comerciantes”, explica Debora Nitta, VP de Planejamento responsável pela coordenação do estudo no Brasil.

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