BOLA DA VEZ



O Bola da Vez é o espaço que o Vox News reservou para, através de entrevistas, mostrar o trabalho e a opinião de profissionais que estão se destacando no meio da comunicação e daqueles de quem ainda vamos ouvir falar...

Por Amanda Corrêa


Michele Dim D’Ippolito – Chief Creative Officer da Dim&Canzian

23/02/2016

michele

Formado em Design, o criativo Michele Dim D’Ippolito, da Dim&Canzian, tem passagens pela Europa até abrir as portas da agência com apenas 24 anos no ano de 2001 apostando em um modelo que misturasse os formatos europeu e brasileiro. Ele acredita que, atualmente, as agências precisam repensar seu modelo de negócio. Sempre em busca da expansão, principalmente da área digital, ele acredita que o futuro da propaganda tem a ver com a palavra tecnologia em sua essência e que apesar da crise econômica do país, essa sim é uma grande oportunidade para o mercado se reinventar.

Como empresário, rebate a frase “enquanto uns choram outros vendem lenço” propagada no mercado publicitário por Nizan Guanaes, sócio do Grupo ABC.


Voxnews – Em 15 anos de mercado, a Dim & Canzian já é uma das agências mais premiadas em alguns festivais. A que se deve este sucesso e reconhecimento?

Michele Dim D’Ippolito – Acho que a palavra que traduz esse reconhecimento é inquietude. Somos inquietos por trazer resultados para nossos clientes. Queremos que eles sejam reconhecidos como marcas inovadoras, que acompanham a evolução do consumidor, e sejam cada vez mais relevantes para seu público. Isso reflete diretamente no caixa e faz com que eles nos enxerguem como parte fundamental do organismo e acreditem em nossas ideias, por mais ousadas que sejam. É esse entusiasmo que me faz vir trabalhar todos os dias e motivar nossa equipe a ter coragem de brigar por reconhecimento em um mercado tão competitivo.

VoxNews – Conte-nos algum trabalho de sua criação na qual você destacaria?

Michele Dim D’Ippolito – Um trabalho que merece ser destacado é o Poste Projetor que criamos para a AES Eletropaulo. É uma ideia que chacoalhou o cliente em todos os sentidos. O projeto consiste em um dispositivo feito de lentes que ao ser acoplado nos postes os transforma em um projetor de luz e sombra. Parece simples, mas isso transformou milhões de postes da companhia em uma mídia proprietária com um penetração incrível, capaz de transmitir mensagens para milhões de pessoas, no qual o cliente utiliza sua própria equipe de eletricistas para fazer a instalação. O dispositivo já foi utilizado em diversas ativações, como por exemplo, na Copa do Mundo e no aniversário de São Paulo, onde conseguimos resultados relevantes – tanto em impacto local quanto em engajamento nas mídia sociais e repercussão em mídia espontânea. E esse é só o começo, pois o projeto tem potencial de se tornar uma nova fonte de renda para nosso cliente. Inclusive fomos procurados por anunciantes de outros segmentos que estão interessados em veicular suas marcas nessa nova plataforma.

Voxnews – Em tempos de crise, como atravessar a recessão como dono de uma agência de publicidade?

Michele Dim D’Ippolito – Não sou do tipo de empresário que defende a crença de “enquanto uns choram outros vendem lenço”. A crise esta aí sim e é um momento importante para nosso mercado repensar seu modelo de negócio. Precisamos rever nosso valores éticos, otimizar nossas estruturas e processos e acima de tudo estudar novas maneiras de remuneração que sejam mais sustentáveis. Mas, na minha visão isso é uma grande oportunidade, pois nem todos os dirigentes de agência terão estômago e fôlego para enfrentar essa fase de transição. E é ai que agências como a nossa, que já nasceram com uma nova mentalidade, ganharão ainda mais espaço.

VoxNews – Daqui a alguns anos, a publicidade será…

Michele Dim D’Ippolito – Estamos passando por um grande momento de mutação da nossa indústria, na qual os formatos tradicionais de propaganda estão se tornado cada vez mais antiquados e por isso tendem a ser cada vez mais secundários. A era do diálogo veio pra ficar e por mais que diversas marcas já tenham embarcado nisso, esse diálogo ainda tem muito o que evoluir, até porque a audiência esta cada dia mais evoluída e mais exigente. Hoje, a propaganda não disputa mais audiência com outras propagandas, ela disputa a atenção do público com o seriado no NetFlix, com o post de um amigo no Facebook, com o video “amador” daquele youtuber…Por isso, é preponderante que o futuro da publicidade seja torná-la mais interessante e relevante para a vida do consumidor, fazendo com que eles se engajem nas marcas, por acreditar que elas fazem a diferença em seu dia-a-dia.

VoxNews – Dizem que nós somos aquilo que lemos, assistimos, ouvimos e vivemos. Sendo assim, o que você indica que os novos profissionais leiam, assistam, ouçam e vivam, para desenvolver a cultura tão necessária a um publicitário?

Michele Dim D’Ippolito – Acho que mais relevante que a cultura que absorvemos é como a absorvemos essa cultura. O publicitário tem que estar aberto a tudo, desde o domingão na tv aberta até aos livros de física de Stephen Hawking. É assim que ele vai conseguir estar sempre atualizado com cultura popular e ao mesmo tempo conectado com as tendências culturais e tecnológicas do futuro. Mas, o importante mesmo é que ele deve absorver esses conteúdos de maneiras diferentes, tendo um olhar pendente para o critico e analítico diante do popular e buscando mais inspiração no conteúdo técnico.

VoxNews – Grandes mudanças estão ocorrendo na área da tecnologia digital e vocês vem expandindo cada vez mais esse departamento na agência. Qual o planejamento e as tendências para os próximos anos?

Michele Dim D’Ippolito – Muitas pessoas acreditam que expandir o digital significa apenas encorpar a equipe de social, conteúdo, midia programática, web designer, frontend, backend e bla, bla, bla… Na minha visão, isso é obrigatório para qualquer agência que, no mínimo, quer estar estruturada para atender as demandas atuais dos clientes. Para nós, o futuro tem muito mais a ver com a palavra tecnologia em sua essência, pois isso significa trazer potencial criativo de outras áreas, como engenheiros eletrônicos, programadores de hardware, entre outros loucos. O segredo está em criar um ambiente criativo colaborativo, fértil o suficiente para sermos capazes de levar inovação de verdade para a vida das pessoas.

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