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BOLA DA VEZ

Fernando Freitas – Creative Group Head na McCann Health de Dubai

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Carioca, mas há quatro anos fora do Brasil, o diretor de arte Fernando Freitas acaba de assumir o posto de Creative Group Head na McCann Health, em Dubai. Antes, o diretor de arte por formação esteve na McCann Portugal, além da Grey, DDB e Y&R, todas em Budapeste.

Ao Bola da Vez Fernando falou sobre a sua experiência fora do país e as semelhanças e diferenças com o mercado brasileiro. E garante, a qualidade do criativo brasileiro é o que mais chama atenção do outro lado do mundo.

Voxnews – Por que você resolveu sair do Brasil? Valeu a pena?
Fernando Freitas – No meu caso, foi puro acaso. Desculpe o trocadilho. Primeiro, fui fazer um freelance de um mês na McCann, em Portugal, que se estendeu por um ano. Depois, recebi uma proposta para ir para Grey, em Budapeste, na Hungria. Lá, passei pela DDB e pela Y&R. Nessa brincadeira aí, já se foram 4 anos. Passou muito rápido. A decisão mais difícil não foi só deixar uma vida estabelecida (carro, apartamento) e sim a família e as pessoas queridas para trás. Mas para ganhar por um lado, você tem que abrir mão de outras coisas de outro, sair da sua “zona de conforto” e encarar o desafio.

Voxnews – Você já tem alguns anos de experiência fora do Brasil e experiência em mercados diversos, como Hungria, Portugal e agora Dubai. O que você pode comentar sobre as diferenças desses mercados e do nosso país?
Fernando Freitas – Bom, na Europa, a velocidade com que as coisas acontecem é menor. Portugal e Hungria têm bem menos dinheiro no mercado, o que acaba afetando a produção. Aqui, o brasileiro sempre dá um jeito de viabilizar os projetos. Dubai é muito novo para mim, ainda, mas já sinto que o grande desafio aqui é a cultura. Existem algumas barreiras que, para os ocidentais, são absurdas. Penso que a solução é sempre tentar entender e, dentro da ótica deles, achar um caminho que agrade a ambos os lados.

Voxnews – E como diretor de arte? Onde estão essas diferenças?
Fernando Freitas – Com recursos mais escassos, você tem que improvisar muito. Mas quem já trabalhou no Rio tira de letra.

Voxnews – O que o levou a deixar a Europa e ir para um mercado tão novo?
Fernando Freitas – Pra mim foi uma decisão muito difícil. Estava na Y&R Budapeste, numa posição muito boa. A agência estava numa ótima fase e pessoalmente estava muito bem. Aí tive uma proposta da McCannHealth, parte do grupo McCann que trabalha só com contas de healthcare, setor que está em amplo crescimento no mundo. O desafio será montar e coordenar uma equipe para ajudar a produzir trabalhos mais criativos, o que até então não estava acontecendo. E agora Cannes tem uma categoria só de helthcare. Nosso objetivo é estar lá no ano que vem. Outro elemento que pesou foi a experiência de vida. Trabalhar em outra língua e em outra cultura, como diz o Mastercard, “não tem preço”. Você aprende que existe um mundo totalmente diferente de qualquer pré-concepção. Todo dia é uma oportunidade de viver uma nova experiência e conhecer alguém novo que te pode fazer uma pessoa melhor. Hoje tenho amigos e colegas de todas as nacionalidades que você possa imaginar. A minha namorada é húngara, meu chefe é sul-africano, meu dupla é egípcio, o diretor de atendimento é indiano e o CEO é árabe. E todo mundo se entende.

Voxnews – Houve uma saída grande de brasileiros para o exterior na última década e muitos continuam fora. Existe o desejo de voltar?
Fernando Freitas – Está sempre na minha cabeça. Espero que o Brasil continue crescendo e se algum dia aparecer uma boa oportunidade, será bem-vinda.

Voxnews – Você, que é carioca, tem vontade de voltar a trabalhar na cidade? Vê perspectivas disso com a proximidade da Copa deste ano e as Olimpíadas em 2016?
Fernando Freitas – Com certeza. Eu e a maioria dos cariocas trabalhando pelo mundo afora. Torço muito pelo mercado do Rio, que é berço da criatividade brasileira (desculpem os amigos paulistas).

Voxnews – Quem trabalha fora acompanha o mercado do Brasil?
Fernando Freitas – Ah, claro. Todo mundo tá sempre ligado no que está acontecendo. Querendo saber dos trabalhos mais bacanas. Adoro quando alguém vem me mostrar um trabalho brasileiro premiado e falo: “Ah. É de um amigo meu. Esse cara é bom.” Ou “já duplei com esse cara”. Tenho muito orgulho.

Voxnews – Alguns brasileiros foram para os Emirados Árabes e fizeram uma bela carreira. O mais recente é o André Nassar. O que atrai nesse mercado?
Fernando Freitas – Acho que é um mercado novo, com muita verba disponível e vontade das agências em investir em criatividade. Penso que os clientes são um pouco conservadores, muito pela cultura e pela falta de experiência. Mas o jeitinho brasileiro “tai” pra isso mesmo.

Voxnews – Atualmente muitos dos trabalhos premiados em Cannes vêm da Ásia e alguma coisa dos Emirados. Isso é reflexo de uma ocidentalização da publicidade desse lado do mundo ou o contrário?
Fernando Freitas – Um pouco dos dois. Mas acho que os melhores trabalhos do oriente são aqueles que apresentam uma nova linguagem, com elementos locais, mostrando um ponto de vista que os ocidentais nunca tinham parado pra pensar sobre. A lógica é totalmente diferente. Há uns anos atrás, diversos filmes da Tailândia ganharam vários prêmios simplesmente porque a estética e a lógica eram tão fora da caixa que não dava pra não reconhecer seu mérito.

Voxnews – E o que o outro lado do mundo vê no criativo brasileiro?
Fernando Freitas – Qualidade garantida.

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